Depois de fazer queixa por assédio moral, médica foi deixada em “absoluto isolamento” nos Hospitais de Coimbra, denuncia sindicato
O Sindicato dos Médicos da Zona Centro (SMZC) denunciou hoje que uma médica dirigente sindical está em “absoluto isolamento” no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), após ter apresentado uma queixa por assédio moral.
Contactado pela Lusa, o gabinete de comunicação do centro hospitalar referiu que hoje não seria possível obter uma reação da administração.
Segundo o presidente do SMZC, Noel Carrilho, a médica em questão “não tem qualquer função atribuída, não estando o seu nome em qualquer escala/horário do Serviço de Sangue e Medicina Transfusional (SSMT), a que está afeta, ou do Serviço de Urgência” desde 04 de outubro, dia em que apresentou queixa no Tribunal de Trabalho de Coimbra por assédio moral.
“A situação é insustentável e assume uma dimensão institucional: o CHUC está acusado de assédio moral sobre uma dirigente sindical e após mais de dois anos continua a insistir que todas as situações de alegado assédio não o são e que tudo isto não passa de uma falsa acusação”, disse o dirigente, em conferência de imprensa.
De acordo com Noel Carrinho, desde há dois anos que a médica em causa, com uma ligação àquela unidade hospitalar de cerca de 15 anos, “desespera” para ser reintegrada no seu posto de trabalho no Serviço de Sangue e Medicina Transfusional, após o gozo de licença parental.
Salientando que a clínica “vive diariamente um inferno”, o dirigente sindical considera incompreensível que o CHUC “mantenha esta trabalhadora afastada das suas funções e remetida a atender telefonemas e a realizar trabalho menor no Hospital de Dia do SSMT e os seus utentes privados do trabalho da médica mais diferenciada na área da coaguloatias congénitas em idade pediátrica”.