Abstenção: 68,6. Três milhões de portugueses decidiram o futuro de mais de dez milhões

Abstenção: 68,6. Três milhões de portugueses decidiram o futuro de mais de dez milhões

27/05/2019 0 Por Carlos Joaquim
Quase 70% dos eleitores decidiu não votar. O PS até pode ter tido mais votos, mas nesta eleição para o Parlamento Europeu, todos perderam — incluindo os que não querem saber de política.
“São todos corruptos”. Em dias de calor, as câmaras de televisão são uma presença tão assídua nos areais quanto os vendedores de bolas de Berlim. Em dia de eleições Europeias, mais ainda se justificam os vox pop de pé na areia. Este domingo não foi exceção.
Vox pop é a gíria jornalística para sair à rua e andar aleatoriamente a caçar quem queira falar para um microfone. A tradução diz qualquer coisa como “a voz do povo”. Está-se a ver, contudo, que quando se escolhe ao acaso uma amostra de entrevistados reduzida (como sejam as pessoas que estão numa dada praia à hora a que os jornalistas lá chegam) as respostas que dão nunca podem ser verdadeiramente significativas.
Pelo meio das entrevistas, ouve-se sempre qualquer coisa próxima de “não voto porque são todos mentirosos” ou “não voto porque não costumo votar”.
As experiências recentes noutros países mostram que nem as sondagens, com método mais científico do que a breve interpelação, são capazes de delinear com precisão o futuro que só as urnas ditam.
É por isso que as eleições são um alargado vox pop. Um momento em que todos são chamados a falar, independentemente de estarem próximos ou não das praias da linha de Cascais, onde os jornalistas gostam sempre de fazer os seus diretos.
Ainda, durante a tarde, o diagnóstico era este: praias cheias, mesas de voto vazias. E a verdade é que Portugal bateu hoje o seu próprio recorde de abstenção. Milhões de portugueses escolheram não escolher, não votando nos nomes de quem lhes vai decidir a vida nos próximos cinco anos.
Os números, porém, têm de ser lidos com cautela. Porque em termos absolutos, até houve mais gente a votar. Confuso?
Nestas Europeias, foram inaugurados novos cadernos eleitorais. Concretamente, os eleitores com capacidade eleitoral ativa são este ano 10.761.156, quando nas europeias de maio de 2014 eram 9.696.481.
O acréscimo de novos votantes não é assim tão grande; todavia, houve mais algumas dezenas de milhares de pessoas a ir às urnas este ano.