Emigrantes portugueses lançam carta aberta pelo direito à habitação em Portugal e contra a repressão violenta das manifestações

Emigrantes portugueses lançam carta aberta pelo direito à habitação em Portugal e contra a repressão violenta das manifestações

02/11/2026 0 Por Carlos Joaquim
“Só não são mais nas ruas, porque muitos já deixaram o país”: emigrantes portugueses lançam carta aberta
Carta aberta pede respostas às reivindicações dos manifestantes e condena a repressão policial das acampadas e manifestações em Lisboa e no Porto.
A Associação José Afonso – Núcleo de Bruxelas divulga hoje uma carta aberta de emigrantes portugueses em apoio às manifestações e acampadas pelo direito à habitação que decorrem em Portugal desde há semanas. A carta, que circula entre grupos de emigrantes, conta já com mais de 350 subscritores e continua aberta a assinaturas.
A iniciativa surge depois de várias semanas de mobilização em Portugal. Em várias ocasiões, as autoridades policiais dispersaram as manifestações em Lisboa e no Porto com desproporcionada violência.
Os signatários lembram que, segundo o Observatório da Emigração, cerca de 1,2 milhões de portugueses deixaram o país nos últimos 15 anos, muitos em busca de condições de vida que permitissem pagar uma habitação digna para si e para as suas famílias, com o salário do seu trabalho.
Em reação às declarações infelizes do Presidente do IHRU, os assinantes relembram que são “filhas e filhos do Estado Social” e recusam que o seu sacrifício seja glorificado ou apresentado como o caminho natural para a juventude portuguesa.
A carta exige ao Governo uma resposta imediata às reivindicações dos manifestantes, incluindo a rejeição da nova lei do arrendamento, o fim dos despejos sem alternativa habitacional, o fim da compra de habitação por fundos imobiliários, mais habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos e tetos de renda. Pede também o cumprimento do artigo 65.º da Constituição, a proteção do direito à manifestação e a responsabilização política de quem tenha autorizado a repressão violenta de protestos pacíficos.
Os signatários da carta aberta terminam com um apelo: “Por um Portugal onde se possa viver e onde se queira ficar. Por um Portugal ao qual possamos regressar.”
A associação apoia e divulga também a concentração convocada por um coletivo informal (ACAMPADA SOLIDARITY BELGIUM), ainda esperando aprovação das autoridades locais, em frente à Embaixada de Portugal em Bruxelas, no dia 10 de novembro, às 17h30. Esta concentração será um gesto simbólico de solidariedade com as acampadas que se têm realizado em várias cidades portuguesas, inscrevendo-se num movimento de mobilização mais alargado da emigração portuguesa, que tem surgido em várias cidades europeias nos últimos dias, incluindo em Berlim e Amesterdão.
Concentração (apoiada mas não organizada pela AJA Bruxelas)
Quando: 10 de novembro de 2026, 17h30 (por confirmar pelas autoridades locais)
Onde: Em frente à Embaixada de Portugal, Av. de Cortenbergh nº 12, 1040 Bruxelas
Convocada por: ACAMPADA SOLIDARITY BELGIUM, coletivo informal de emigrantes portugueses
*João Paiva, Presidente da Associação José Afonso – Núcleo de Bruxelas
Bruxelas, 1 de novembro de 2026