Juliana Garbayo lança “Neutralidades que matam” em Aveiro, Lisboa e Porto

20/10/2026 0 Por Carlos Joaquim
Um livro entre a poesia, a prosa e a experiência do corpo em trânsito. A mudança para Portugal teve um papel importante no percurso literário de Juliana. Foi em Aveiro, cidade onde vive atualmente, que começou a escrever. “Acho que imigrar provocou minha escrita. O imigrante meio que volta a ser criança, olha tudo com olhos de novidade, tudo é interessante, cada planta no caminho, cada flor, cada padaria. Não sabemos como fazer nada, até pra subir no ônibus é preciso observar e descobrir se se sobe pela frente ou por trás. Isso desperta a observação e a curiosidade”, diz Juliana Garbayo.
A psiquiatra e escritora apresenta seu novo livro Neutralidades que matam em Aveiro (dia 5 de novembro), Lisboa, na livraria Saudade (dia 7 de novembro) e Porto (14 de novembro). O livro da editora Urutau (Portugal,Brasil e Galícia), tem edição de Wladimir Waz.
“Neutralidades que matam” surgiu de maneira espontânea, sem um projeto temático previamente definido. Durante o mestrado em Psiquiatria e Psicoterapia Psicodinâmica na Universidade do Porto, Juliana fazia regularmente o percurso de comboio. Se as viagens de ida eram dedicadas à leitura, as de regresso tornavam-se momentos de observação e elaboração.
A formação em psiquiatria ajuda a compreender a sensibilidade que atravessa a escrita. Para Juliana, a psiquiatria e a literatura partilham o interesse pela palavra e pelo que existe para além do que é imediatamente dito: o subterrâneo, o subtexto, aquilo que permanece oculto e aguarda ser desvendado. É nesse espaço de aproximação entre o visível e o invisível que a autora encontra uma das ligações mais profundas entre as duas áreas a que se dedica.
Essa experiência da imigração está presente também na linguagem do livro. Entre o português do brasil e o português europeu, a autora encontrou uma voz própria, um idioma híbrido que já não é inteiramente o de onde veio, nem o do lugar onde vive. Em vez de resistir a essa transformação, decidiu acolhê-la. É uma escrita marcada pela condição de estar entre lugares, referências e modos de sentir uma experiência que não se limita à geografia, mas se estende à própria forma literária.
“mas eu não/eu não beijo a lona/eu não esculpo verdades amargas/eu não defendo inocentes/eu nunca me deito de costas na areia quente antes de o sol se pôr.”
Entre o Rio de Janeiro e Aveiro, entre o pensamento clínico e a criação literária, Juliana Garbayo transforma a condição de estar entre mundos numa forma de escrita. Neutralidades que matam chega assim aos leitores como um convite à observação, à escuta e à descoberta das zonas menos visíveis da experiência humana.
Além da escrita, Juliana Garbayo dedica-se à mediação de leitura, integra e conduz  o Leia Mulheres Porto. A experiência dos clubes de leitura reforçou a sua convicção de que ler é também um exercício de escuta, confronto e abertura ao outro. “Partilhar interpretações, acolher perspetivas diferentes e aprender a discordar com respeito são gestos que ultrapassam a literatura e ganham particular importância num tempo marcado pelas redes sociais e  pela valorização constante do individual”, completa a autora.
O livro tem prefácio do compositor e cantor brasileiro Nei Lopes, amigo do pai da escritora, Joel  Rufino dos Santos, escritor e historiador brasileiro. A orelha do livro é escrita pela poeta portuguesa Francisca Camelo.
Sobre a autora
Juliana Garbayo é carioca, psiquiatra e mestra em psicoterapia psicodinâmica. Seu livro de estreia, Coisas difíceis de ressuscitar, venceu o Prêmio Paraná de Literatura 2021 (categoria contos) e foi publicado em 2023 pela editora Caos e Letras. Atualmente vive em Portugal e é mediadora do Leia Mulheres Porto.
Fotos:
Lançamento Neutralidades que matam
com a presença da autora Juliana Garbayo
AVEIRO
dia 5/1, quinta feira, às 19h
Local: Livraria Ror de livros,  Rua Sr. dos Aflitos, 9, AVEIRO
conversa com Rui Almeida, escritor e editor
LISBOA
dia 7/11, sábado, às 16h
Local: Saudade Livraria
conversa com a escritora Déa Paulino
PORTO
dia 14/11, sábado, às 16h
Local: Livraria Essência do Livro, Rua da Alegria, 390, PORTO
conversa com a mediadora do Leia Mulheres Porto, Natalia Mingotti