Estarreja | Companhia Maior e Victor Hugo Pontes apresentam “A Esta Hora, na Infância Neva”. Várias fases da vida cruzam-se para elogiar a beleza do físico amadurecido.
A Companhia Maior convocou o encenador e coreógrafo Victor Hugo Pontes para a criação de uma viagem poética pela memória, o corpo e o tempo com o espetáculo de dança contemporânea “A Esta Hora, na Infância Neva”. A peça é apresentada este sábado, dia 16, às 21h30, no Cine-Teatro de Estarreja.
Em palco junta diferentes gerações: artistas com mais de 60 anos, dois bailarinos e um músico na faixa dos 20/30 anos, e seis crianças com idades entre os sete e os dez anos. A peça segue uma via eminentemente física, inspirado pelo potencial do corpo que já viveu muito tempo – um contraponto com a sua experiência prévia de trabalhar com adolescentes. Se na pujança da juventude interfere a falta de experiência e autodomínio, na idade maior as limitações são resolvidas com a experiência de palco. Que idiossincrasias se fazem anunciar na fisicalidade destes intérpretes que têm um longo percurso gravado no corpo? Para esta pergunta, Victor Hugo Pontes propôs-se encontrar uma afirmação coreográfica.
Em cena, corpos de diferentes idades sobrepõem-se para evidenciar o contraste, por um lado, mas também para elogiar a beleza do físico amadurecido: um corpo na dança que perdeu força e velocidade, mas que comporta memória existencial e ganhou definição e intenção. As gerações mais novas criam um espelho que nos permite refletir sobre o que ainda somos, daquilo que fomos… um gatilho do passado, para o futuro em aberto, num presente onde, como escreveu Manuel António Pina, “as cicatrizes do coração permanecem”, em que o esquecimento é também sabedoria e a infância reaparece, refinada.
A Companhia Maior é um projeto de criação no âmbito das artes performativas contemporâneas, desenvolvido com artistas seniores. Desde 2010, por iniciativa de Luísa Taveira, a Companhia promove a criatividade na idade maior, trabalhando com várias gerações de criadores no contexto interdisciplinar da criação contemporânea.
“A esta hora na infância neva,
e alguém me leva pela mão.
Quem me trouxe de tão longe senta-se agora à minha cabeceira
pegando-me na mão.
Senhor, que ao menos a infância permaneça,
o espírito da neve desfolhando-se no chão!
O médico disse que as cicatrizes do coração permanecem.”
“A esta hora, na infância neva”, poema de Manuel António Pina em Cuidados Intensivos, 1994.
*Gabinete de Comunicação, Relações Públicas e Protocolo
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