Escola Superior Agrária de Coimbra inaugura estação de quarentena para realização de testes com agentes de controlo biológico

Escola Superior Agrária de Coimbra inaugura estação de quarentena para realização de testes com agentes de controlo biológico

13/03/2026 0 Por Carlos Joaquim
A Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra (ESAC-IPC) acaba de reforçar a capacidade científica nacional na luta contra as espécies invasoras, com a instalação de uma nova estação de quarentena ou confinamento para realização de testes com insetos, ampliada e com mais-valias relativamente à anterior. Esta será uma infraestrutura científica dedicada ao estudo e avaliação de agentes de controlo biológico de plantas invasoras, com condições para desenvolver testes com plantas invasoras terrestres (de que são exemplo as acácias, atualmente em floração) e aquáticas (como o jacinto-de-água).

A infraestrutura foi formalmente aprovada pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), cumprindo todos os requisitos legais, técnicos e de biossegurança exigidos para este tipo de instalações. Esta aprovação garante que todos os ensaios decorrem sob rigorosos padrões de confinamento, prevenindo qualquer risco de libertação acidental e assegurando elevados níveis de segurança biológica.

Num contexto em que as espécies invasoras constituem uma das principais ameaças à biodiversidade, aos ecossistemas agrícolas e florestais e à própria economia, o controlo biológico assume-se como uma ferramenta crucial para uma gestão mais eficaz, sustentável e duradoura desta problemática. Ao contrário de abordagens exclusivamente mecânicas ou químicas, esta estratégia baseia-se na utilização de inimigos naturais altamente específicos, permitindo reduzir populações de espécies invasoras de forma continuada e com menor impacte ambiental. O desenvolvimento de alternativas ao controlo químico, em particular, é uma prioridade estratégica a nível nacional e europeu podendo o controlo biológico promover soluções sustentáveis e de longo prazo para a gestão de plantas invasoras.

Recorde-se que Trichilogaster acaciaelongifoliae, agente de controlo biológico que forma galhas em acácia-de-espigas (Acacia longifolia), foi, até ao momento, o único agente libertado na natureza em Portugal para controlar uma planta invasora e os resultados obtidos são bastante animadores.

A nova estação permitirá testar, em condições controladas e seguras, insetos candidatos a agentes de controlo biológico, avaliando de forma rigorosa:
• a sua especificidade relativamente às espécies-alvo;
• os potenciais efeitos diretos sobre espécies nativas ou de interesse económico;
• a sua eficácia na redução das populações invasoras;
• a segurança ecológica de futuras libertações.
Os projetos científicos desenvolvidos nesta infraestrutura são coordenados pela docente e investigadora Hélia Marchante, especialista em ecologia e gestão de espécies invasoras do Centro de Estudos em Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS – ESAC/IPC), que colidera uma equipa com vasta experiência na investigação e implementação de estratégias mais sustentáveis de controlo. Os projetos nesta área consolidam uma colaboração de longa data, no domínio das espécies de plantas invasoras e seu controlo biológico, com o Centro de Ecologia Funcional – Universidade de Coimbra (CFE – UC), reforçando uma parceria científica que tem sido determinante para o avanço do conhecimento e da prática nesta área em Portugal.
Este investimento está alinhado com as prioridades estratégicas nacionais, nomeadamente com o Plano Floresta 2050, que reconhece explicitamente o controlo biológico como uma das abordagens a integrar na gestão de plantas invasoras. A nova estação de confinamento constitui, assim, uma infraestrutura-chave para apoiar decisões técnicas e regulamentares baseadas em evidência científica e para acelerar o desenvolvimento de soluções inovadoras que respondam a este desafio ambiental crescente.
Com esta iniciativa, a ESAC afirma-se como uma referência nacional e europeia na investigação aplicada ao controlo biológico, contribuindo de forma decisiva para proteger a biodiversidade, reduzir custos de gestão e promover ecossistemas mais resilientes face às invasões biológicas.
Para mais informações: hmarchante@gmail.com
*Isabel Silva