Cristina Rodrigues deixa PAN e passa a deputada não inscrita

Cristina Rodrigues deixa PAN e passa a deputada não inscrita

25/06/2020 0 Por Carlos Joaquim
A deputada Cristina Rodrigues, eleita por Setúbal nas últimas eleições legislativas, desvinculou-se do PAN e vai passar ao estatuto de não inscrita, acusando a direção do partido de a silenciar e condicionar a sua “capacidade de trabalho”.
“Hoje, de coração extremamente apertado, decidi desvincular-me do PAN, após ter dado tanto de mim a este partido. Infelizmente, não consigo adiar mais esta decisão e apenas a tomo por não ver outra saída e por acreditar que, ao adiá-la, poderia vincar ainda mais as divergências existentes e ser mais prejudicial para o partido, para mim e para as causas com que continuo a identificar-me”, afirma a parlamentar numa nota enviada à agência Lusa.
Cristina Rodrigues diz já não conseguir “lidar com a forma como o PAN tem sido orientado” e considera não ser possível “inverter esse rumo através dos atuais mecanismos internos”.
“Fui sentindo cada vez mais a minha voz silenciada e a minha capacidade de trabalho condicionada, o que culminou com o meu recente afastamento da Comissão Política Permanente do PAN, feito à minha revelia e sem aviso prévio”, indica também.
A deputada refere igualmente que se mantém na Assembleia da República como deputada não inscrita afirmando acreditar que pode “fazer a diferença”, orientando-se daqui para a frente “pelos princípios e valores” que a levaram “à causa pública e ao desafio parlamentar”.
Além de deputada, Cristina Rodrigues integrava a Comissão Política Nacional (CPN) do PAN.
Entre os argumentos para a sua saída do partido, aponta que “já há algum tempo que a estratégia definida pela direção tem primado por um afastamento face a princípios estruturais do PAN” e fala numa “clara centralização do poder” em que deixou de haver “tolerância para com a diferença” e em que “qualquer opinião divergente é rotulada de desleal”.
“Passou-se de um discurso construtivo, positivo, imbuído da vontade de fazer pontes e de dialogar, para um discurso agressivo que chega a colocar em causa pessoas e não ideias, algo que contraria os estatutos do partido”, considerou a deputada, que era coordenadora do grupo parlamentar do PAN em várias comissões parlamentares.
Por outro lado, acusa a direção de “distanciamento face a medidas estruturais”, como o Rendimento Básico Incondicional, considerando que este tema “sempre viu a sua discussão bloqueada, algo que se tornou ainda mais evidente durante a primeira fase da pandemia”.