Governo espera recuperar 230 mil consultas até ao final de 2020
O Governo espera recuperar até ao final deste ano 230 mil consultas que foram adiadas devido à pandemia de covid-19, bem como 25% das cirurgias, anunciou hoje o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales.
“É nossa intenção recuperar todas as consultas, cerca de 230 mil consultas, e 25% da recuperação cirúrgica até ao final do ano. Se o conseguirmos, ficaremos todos satisfeitos”, afirmou o governante, no âmbito da audição sobre o orçamento suplementar na Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República.
Questionado pelos deputados sobre a dimensão da quebra da atividade assistencial, António Lacerda Sales defendeu a necessidade de estabelecer comparações rigorosas e sinalizou que face a maio de 2019 registou-se “menos 16,8% de consultas médicas, menos 16,9% de doentes saídos de internamento e menos 28,8% de cirurgias”. No entanto, reforçou que “em maio já tinham sido remarcadas 40% das consultas e 30% das cirurgias desmarcadas”.
O orçamento suplementar prevê um reforço de 504 milhões de euros (ME) para a área da saúde, que se juntam ao anterior reforço fixado no Orçamento de Estado (OE) de 2020: 941 ME. Nesse sentido, Lacerda Sales assinalou a “componente histórica” deste orçamento suplementar com o investimento que se iniciou no setor da saúde na legislatura anterior e vincou que “consubstancia uma aposta” na saúde e nas prioridades impostas pela pandemia.
“É uma abordagem conjuntural e não estrutural, em que temos de atuar em três prioridades: evitar novos surtos, organizar respostas a eventuais novos surtos e recuperar a atividade assistencial. Se houve uma boa resposta à pandemia, deveu-se à estrutura de saúde pública e aos excelentes profissionais. Foi muito importante no ataque a esta pandemia o reforço da estrutura de saúde pública”, frisou.
Já sobre a aposta na medicina intensiva, o secretário de Estado da Saúde assumiu como objetivo do executivo até ao final deste ano o reforço da capacidade instalada para 9,4 camas por 100 mil habitantes e conseguir alcançar a média europeia em 2021, com uma capacidade de 11,5 camas por 100 mil habitantes.
Paralelamente, Lacerda Sales reiterou o “grande esforço” previsto nos recursos humanos, ao reconhecer que a ideia do governo “é, de facto, passar a contratos sem termo – de acordo com as necessidades – 2800 profissionais”.