Autópsia confirma homicídio de jovem negro morto a tiro em Atlanta

Autópsia confirma homicídio de jovem negro morto a tiro em Atlanta

15/06/2020 0 Por Carlos Joaquim
Rayshard Brooks, o jovem negro cuja morte em Atlanta reavivou os protestos contra a brutalidade policial nos Estados Unidos, foi vítima de homicídio, confirmou no domingo a autópsia.
Brooks, de 27 anos, morreu na noite de sexta-feira após ter recebido “dois tiros nas costas” disparados por um agente branco da polícia de Atlanta, provocando-lhe danos nos órgãos e perda de sangue, explicou em comunicado o médico-legista do condado de Fulton, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
O procurador distrital do condado de Fulton, Paul Howard, que está a investigar o incidente, disse que o relatório preliminar do gabinete do médico-legista e o exame balístico irão ajudá-lo a “tomar uma decisão” sobre se deve ou não apresentar queixa contra o agente que alvejou Brooks.
Howard já anunciara que estava a considerar acusar o agente envolvido de homicídio, uma acusação que, ao abrigo do Código Penal da Geórgia, pode acarretar a pena de morte. Identificado como Garrett Rolfe, o agente, na polícia desde outubro de 2013, foi despedido no sábado e Devin Bronsan, que o acompanhava, foi colocado em funções administrativas.
Rayshard Brooks, de 27 anos, morreu na sequência dos disparos da polícia, na noite de sexta-feira, junto de um restaurante “drive-thru” (onde se compra comida sem se sair do automóvel).
A polícia tinha sido chamada ao local devido a uma queixa de que um homem estava a dormir dentro de um carro e a bloquear a passagem de outras viaturas.
Um vídeo da câmara ligada a um dos uniformes dos agentes, divulgado pela polícia no domingo, mostra que os agentes falaram durante mais de 20 minutos com Brooks, antes do início do confronto.
Brooks manteve-se inicialmente calmo, confirmando que tinha bebido, e cooperou com os agentes, a quem pediu autorização para deixar o carro no parque de estacionamento e ir a pé até à casa da irmã, que vive nas proximidades.
Os agentes fizeram-lhe um teste de alcoolemia e tentaram algemá-lo, mas Brooks libertou-se e os três acabaram no chão, com a polícia a avisá-lo de que lhe dariam um choque elétrico com ‘taser’ se resistisse.