O Papa Francisco se submete a líderes religiosos contrários a Jesus Cristo
- Luiz Sérgio Solimeo –
OComitê Superior da Fraternidade Humana, organização inter-religiosa composta por membros islâmicos, judeus e católicos, convocou para o dia 14 de maio uma jornada [foto acima] “de jejum, obras de misericórdia, orações e súplicas para o bem de toda a humanidade”.1
Durante o Regina Caeli de 3 de maio na Praça de São Pedro, o Papa Francisco declarou: “Como a oração é um valor universal, aceitei a proposta do Comitê Superior da Fraternidade Humana”.
Com base nessa premissa de que “a oração é um valor universal” — independentemente da fé, intenção ou maneira de orar —, o Papa Francisco pediu aos “crentes de todas as religiões” que atendam ao chamado do Comitê Superior e realizem um dia “de oração, jejum. e obras de caridade, para implorar a Deus que ajude a humanidade a superar a pandemia de coronavírus.”
Ao encerrar, o Papa Francisco enfatizou: “Lembre-se: em 14 de maio, todos juntos, crentes de diferentes tradições, orem, jejuem e realizem obras de caridade.”2
“Cada um reze da maneira que sabe e pode, como recebeu de sua cultura”
Durante a missa de 14 de maio, o Papa aderiu à iniciativa.3 Ele enfatizou em seu sermão que, “graças à coragem que este Comitê Superior da Fraternidade Humana demonstrou, fomos convidados a orar juntos, cada um de acordo com própria tradição, e a realizar um dia de penitência, jejum e também caridade, ajudando os outros”.
O próprio Papa Francisco antecipou a pertinente objeção que pode ser feita a essa iniciativa inter-religiosa: “Talvez alguém diga: isso é relativismo religioso e não pode ser feito”. No entanto, ele negou a validade da objeção e a respondeu dizendo: “Mas como não podemos rezar ao pai de todos? Cada um reze da maneira que sabe e como pode, como recebeu de sua própria cultura.”
Afirmar que cada um reza “como sabe”, “como pode”, de acordo com sua “própria cultura”, é aceitar a essência do relativismo religioso, que consiste em rejeitar todas as normas objetivas, bem como a verdade absoluta. Em suma, é cair no completo subjetivismo religioso. Isso é tanto mais assim quando se considera que o Papa se dirige aos “crentes de todas as religiões”, que oram “cada um de acordo com sua própria tradição”.
Deus é o “Pai de todos”?
O Papa Francisco procurou justificar esse relativismo religioso dizendo que Deus é o “Pai de todos”. Assim, não importam as diferenças de crença ou a maneira de rezar, o que implica reconhecer que todas as religiões são igualmente boas e que todas as formas de orar são igualmente louváveis, pois são dirigidas ao mesmo Pai.
Esta afirmação é absurda porque Deus não pode ser o Pai de todos os homens no mesmo modo e no mesmo sentido. Ele não pode ser Pai igualmente dos justos e dos pecadores, dos crentes e dos incrédulos, dos seguidores da verdadeira fé e dos que estão na heresia ou nas trevas do paganismo.
De acordo com o Catecismo do Concílio de Trento, é preciso distinguir entre a paternidade de Deus como “Como criador e governador do mundo” e sua paternidade enquanto adota, pela graça, os cristãos como filhos.4
No primeiro caso — da paternidade de Deus como Criador — há uma analogia em relação a uma pessoa que é pai porque estabeleceu e mantém uma família. Nesse sentido, a paternidade divina pode ser atribuída a todos os homens sem distinção. Entretanto, no segundo caso — da paternidade de Deus, não somente pela criação, mas também por adoção pela graça —, em sentido estrito, Deus só é Pai dos justos, que aceitam a fé em Jesus Cristo e permanecem em Sua amizade.
São João ilustra apropriadamente essa verdade na introdução de seu Evangelho: “[O Verbo Encarnado] veio ao que era seu, mas os seus não O receberam. Mas a todos os que O receberam, deu-lhes o poder de virem a ser filhos de Deus, àqueles que crêem em seu nome” (Jo 1, 11-12) .5
Além disso, São Paulo escreveu aos gálatas: “Todos vós, pois, sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gl 3, 26). Como também escreveu aos Romanos: “O próprio Espírito atesta ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. Se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo, suposto que padeçamos com Ele para sermos com Ele glorificados” (Rom 8, 16-17).
Portanto, a filiação divina adotiva vem pela fé e pela graça santificante. O pecado mortal, ao destruir a graça santificante na alma, causa a perda dessa filiação divina adotiva. Mais ainda, o pecador não apenas deixa de ser um filho adotivo de Deus, mas, além disso, se torna filho do diabo, como se lê na Primeira Epístola de São João:
“Quem comete o pecado, esse é do diabo, porque o diabo desde o princípio peca. […] Nisto se conhecem os filhos de Deus e os filhos do diabo. Aquele que não pratica a justiça não é de Deus, e tão pouco aquele que não ama seu irmão” (1 Jo 3, 8-10).