Lisboa e Vale do Tejo com mais de 90% dos novos casos. DGS aprova esplanadas com “umas belas sardinhas” nos Santos Populares, mas com regras
Portugal regista hoje 1.504 mortes relacionadas com a covid-19, mais sete do que na quarta-feira, e 35.910 infetados, mais 310, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde. Graça Freitas explicou em conferência de imprensa que as esplanadas, pelos Santos Populares, podem ter grelhadores, música e sardinhas, “desde que se cumpram as regras do distanciamento”.
Segundo o boletim, Portugal regista hoje 1.504 óbitos e 35.910 casos confirmados. Verificam-se também 22.002 recuperações.
Em comparação com os dados de quarta-feira, em que se registavam 1.497 mortes, hoje constatou-se um aumento de óbitos de 0,46%. Já os casos e infeção subiram cerca de 0,9%.
Na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde se tem registado maior número de surtos (14.161), há mais 283 casos de infeção do que na quarta-feira (cerca de 2%).
Afinal não há surto em Arroios
O Ministério da Saúde admitiu hoje que houve “um lapso” e que a freguesia de Arroios não faz parte dos 13 focos de covid-19 registados na zona da grande Lisboa.
“Nós temos alguns surtos em alguns pontos que têm uma correspondência com um código postal e no caso de Arroios houve um lapso que já foi identificado e que naturalmente pedimos desculpa pelo facto”, afirmou hoje a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira, durante a conferência.
Na quarta-feira a ministra da Saúde, Marta Temido, falou em 13 surtos preocupantes em Lisboa, Loures, Odivelas, Amadora e Sintra, referindo-se aos casos registados nas freguesias de Arroios, Santo António, Encosta do Sol, Queluz e Belas, Águas Livres, Agualva, Mira-Sintra, Mina d’Água e Rio de Mouro.
O aumento de casos registado nos últimos dias na região de Lisboa e Vale do Tejo levou o Governo a criar um Gabinete Regional de Intervenção para a Supressão da Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo.
A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, referiu que a dinâmica das epidemias está relacionada com a dinâmica das populações, explicando que a intensidade dos rastreios tem sempre em conta o contexto e a realidade que se vive no momento.
“A política de testagem deve ser orientada” tendo em conta os diferentes “momentos, contextos e situações de risco”, explicou Graça Freitas, quando questionada se estaria a haver uma testagem agressiva na zona de Lisboa em contraponto com outras regiões do país.
Sobre o anúncio da incidência de casos entre os profissionais da construção civil (10%), Graça Freitas disse que foram testados outros grupos, mas este foi o que se destacou.
Os restantes grupos deram uma percentagem de testes muito baixa, como foi o caso do registo de positivos em lares ou em agregados familiares, explicou Graça Freitas.
Arraiais em moldes diferentes
A diretora-geral da Saúde defendeu hoje que os arraiais dos Santos Populares se podem realizar mas em moldes diferentes dos outros anos, porque terão de cumprir as regras estabelecidas para minimizar a disseminação do novo coronavírus.
Durante a conferência de imprensa, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou que “nada impede que haja uma boa esplanada e que essa esplanada tenha música e que essa música seja acompanhada de um grelhador e de uma belas sardinhas”.
No entanto, sublinhou Graça Freitas, é preciso cumprir as regras de distanciamento: “É uma nova normalidade. As coisas podem fazer-se, mas com regras”.
A diretora-geral da Saúde referiu que, neste momento, já estão a funcionar “esplanadas ótimas, com muitas pessoas”, que cumprem as regras e por isso “o risco é mínimo”, mas também existem espaços onde “os riscos são demasiados”.