NOTRE-DAME UM ANO DEPOIS

NOTRE-DAME UM ANO DEPOIS

04/06/2020 0 Por Carlos Joaquim
Luzes de esperança se projetam sobre a catedral de Notre-Dame de Paris, após o trágico incêndio do ano passado. 
 
Marcelo Dufaur
Em 15 de abril completou-se um ano do incêndio da catedral de Notre-Dame. Um francês disse então: “Dei-me conta de que fiquei órfão”. Outro chorava “seu segundo lar”. Até os que não frequentavam a catedral sentiram uma carência na alma.
Projeto da “flecha” de Notre-Dame, de autoria de Eugène-Emmanuel Viollet-le-Duc (Museu Carnavalet, Paris)
Discutem-se as causas do incêndio, a fisionomia que terão o teto e a agulha do templo sagrado no final da restauração. Em um ano de avaliações, garante-se que a estrutura está sólida e a reconstrução da parte superior pode começar sem riscos. Leis nacionais e acordos internacionais obrigam a uma restauração à l’identique (idêntica ao que sempre foi). Os planos pormenorizados do arquiteto Viollet-le-Duc, no século XIX, impedem adulterações. Mas quem conhece a classe política tem sempre muito a temer…
Em 1988, por ocasião de sua última visita à magnífica catedral, Plinio Corrêa de Oliveira comentou: “À Notre-Dame podem ser aplicadas as palavras da Escritura: Jerusalém é comparável a uma cidade perfeita, a alegria do mundo inteiro”. Em décadas anteriores ele já havia confidenciado sua dor pela insensibilidade dos parisienses por sua igreja-mãe, dizendo que eles haviam deixado a catedral como “uma coisa para turistas verem”.
Estaria surgindo hoje em incontáveis franceses, em relação à sua “casa-materna”, a catedral de Notre-Dame, uma ponta de dor semelhante à do filho pródigo quando começou a sentir saudades do lar paterno? É uma luz de esperança, não somente quanto à perfeita restauração arquitetural do edifício, mas também uma restauração profunda das almas na França, “filha primogênita da Igreja”.
A gárgula “observa” do alto da catedral a movimentação do povo parisiense
Não há livros suficientes para conter a narrativa das glórias dessa “filha primogênita” e dos requintes desse seu símbolo máximo. Não seriam poucos também, infelizmente, os volumes necessários para registrar os crimes perpetrados contra ela por franceses possuídos pelo espírito satânico da Revolução gnóstica e igualitária.
Nos remotos tempos em que a visitei pela primeira vez, eu a elogiei quando conversava com um jovem líder conservador. Ele se espantou, e deplorou que não tivesse sido efetivado o plano pós-Segunda Guerra Mundial, o qual previa arrasar a Île de la Cité e adjacências para erigir ali uma Manhattan parisiense. É nesse espaço que estão encravados Notre-Dame, Sainte-Chapelle e Palácio de São Luís, entre outras jóias da Cristandade. O monstruoso projeto foi efetivado depois pelo presidente socialista François Mitterrand; mas no bairro de La Défense, num local afastado.