Pachamama, Papa Francisco e Pandemia
Luiz Sérgio Solimeo* –
Em vários pronunciamentos recentes, o Papa Francisco sugeriu que a atual pandemia de coronavírus seria uma vingança da natureza.
Em uma entrevista no dia 22 de março de 2020 ao jornalista espanhol Jordi Évole, este perguntou ao Pontífice se a atual pandemia não seria um “acerto de contas da natureza”.[i] Ele respondeu com um ditado popular que frequentemente repete como um axioma teológico: “Deus perdoa sempre; nós, homens, às vezes perdoamos; a natureza nunca perdoa”. E acrescentou que “a natureza está esperneando[ii] para que cuidemos dela”.[iii]
Falando em 8 de abril ao jornalista inglês Austen Ivereigh, do semanário católico liberal de Londres The Tablet, o Papa Francisco repetiu o mesmo refrão e, depois de comentar várias calamidades naturais, acrescentou: “Não sei se essa é a vingança da natureza, mas certamente são as respostas da natureza”.[iv]
“Pecamos contra a terra: precisamos de uma conversão ecológica”
O Papa Francisco voltou a repetir o referido refrão na catequese especial de 22 de abril, por ocasião 50º Dia da “Mãe Terra,” uma celebração instituída pela ONU:
“Devido ao egoísmo, falhamos na nossa responsabilidade de guardiães e administradores da Terra. […] Pecamos contra a terra […]. E como reage a Terra?[…]Deus perdoa sempre; nós, homens, às vezes; a terra nunca. A terra nunca perdoa.[…] Se deteriorarmos a terra, a resposta será terrível”.
Mais adiante, declara: “Fomos nós que arruinamos a obra do Senhor!” Portanto, “ao celebrarmos hoje o Dia Mundial da Terra, somos chamados a reencontrar o sentido do respeito sagrado pela Terra, porque ela não é apenas a nossa casa, mas também a casa de Deus”.
Mas, ao que parece, respeito não é suficiente: “Precisamos de uma conversão ecológica”[v]. [vide quadro – I – no final]
“A natureza nunca perdoa: se você lhe dá uma bofetada, ela lhe devolve a bofetada”
Já em janeiro de 2015, em uma de suas peculiares entrevistas aeronáuticas, voando do Sri Lanka para as Filipinas [foto], quando questionado por um jornalista sobre se a mudança climática era inteiramente culpa do homem, o Papa respondeu: “Não sei se é inteiramente, mas na maioria dos casos, em larga medida, é o homem que agride a natureza, continuamente. Tornamo-nos um pouco donos da natureza, da irmã terra, da mãe terra. Recordo — vocês já ouviram isto — o que um velho camponês me disse uma vez: ‘Deus perdoa sempre, nós homens perdoamos por vezes, a natureza nunca perdoa’. Se você lhe dá uma bofetada, ela te devolve a bofetada”.[vi]
Encíclica Laudato Si ‘: a chave para entender o pontificado do Papa Francisco
Essas e outras estranhas declarações antropomórficas — às vezes ininteligíveis e até incongruentes — adquirem significado quando lidas à luz da sua encíclica Laudato Si’.
De fato, essa encíclica nos dá a chave para entender outros pronunciamentos, atos, gestos e atitudes de Francisco[vii], principalmente, a exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazônia[viii].
A Terra, tratada como um servivo
Nesses documentos, o Papa Francisco trata a terra, a natureza e o meio ambiente como se fossem seres racionais, dotados de inteligência, vontade e sensibilidade, exatamente como o homem.
Laudato Si’ afirma, por exemplo: “Esta irmã [a terra] clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou.” (n.2). “Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que ‘geme e sofre as dores do parto’ (Rom. 8, 22)” (n. 2).
Observe-se a caracterização marxista dos “pobres” como os “oprimidos”. A encíclica recomenda uma abordagem ecológica para “ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres” (nº 49). “Estas situações provocam os gemidos da irmã terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo” (nº 53).
Me utilizo por meio deste, para reitera que gostei, desta feita ressalto que o exposto em matéria textual é muito relevante; cujo, faz com que possamos tefletirmos muito sobre a nossa MAĒ “terra” e por quê não dizer nosso PLANETA abitat e “casa” COMUM para toda gente; POVO e NAÇÕES entendidas como humanidade. Telefone: (88) 9-9605 – 6878 MUNICÍPIO lpaumirim, Estado Ceará, País BRASIL. ?? ???✍