Quando uma conversão é profunda
Plinio Maria Solimeo
Às vezes vemos notícias sobre conversões ao catolicismo de atletas famosos. O que nos surpreende é a seriedade com que os neo convertidos passam a viver a vida religiosa, sendo comum procurarem a forma antiga da liturgia para as suas devoções. John Scott é um desses exemplos. Nascido no Canadá 37 anos atrás, passou sua vida profissional entre seu país e os EUA, onde se formou em engenharia pela Universidade de Michigan. É casado e pai de cinco filhas, incluindo duas gêmeas.
Scott se tornou conhecido como jogador da Liga Profissional americana de hóquei sobre gelo, a qual move milhões naquele país. Esse esporte é tão violento ou mais que o futebol americano. Por isso, com seus quase dois metros de altura ele se sobrepunha aos adversários. Sua maior notoriedade ocorreu na temporada 2015-16, quando foi escolhido pelos fãs como capitão da equipe da Divisão do Pacífico da Conferência Oeste para o All-Star Game.
Desde criança começou a praticar hóquei, esporte muito popular no Canadá devido à neve. Ele confessa que aprendeu a interagir com outras pessoas por meio do esporte. Como não possuía formação religiosa, o hóquei teria sido para ele a coisa mais próxima de uma religião, pois coloriu a sua visão da vida. Como profissional, Scott adquiriu fama de violento durante os jogos: “Lutar era parte rotineira da minha carreira. Fui pago para proteger meus colegas de equipe, mas gostaria de não ter feito isso”.
Universitário, ele conheceu sua futura esposa, Danielle, uma moça católica cuja fé lhe proporcionou uma base estável de vida. Ele estava de algum modo ‘patinando no gelo fino’, pois não tinha uma explicação geral de como o mundo foi montado ou seu significado. Quando pernoitava na casa de sua namorada, dormia no porão, enquanto ela dormia em seu próprio quarto. Iam juntos à missa com os pais dela.
Quando os dois falaram sobre o casamento, Danielle deixou claro que “se eu quisesse me casar, teria de ser na Igreja Católica, e eu teria que concordar em criar nossos filhos como católicos. Depois nos reunimos com um padre e discutimos o compromisso de toda a vida um com o outro, a procriação e instrução das crianças”. Nessa conversa ficou bem claro que o casamento era para toda a vida, que não fariam controle artificial da natalidade, pois a Igreja o proíbe, e deveriam aceitar todos os filhos que Deus mandasse.
Quando o repórter lhe observa que o tamanho de sua família é maior que o da maioria dos americanos, ele afirma: “É estatisticamente incomum, mas o importante não é ser mediano, mas viver como a Igreja nos ensina a viver, estando abertos à vida”. Ele, com efeito, sabe o que quer e quer o que faz: “Com famílias maiores, há amigos incorporados e oportunidades de abnegação e expansão dos horizontes, há sempre algo para aprender”.