OMS suspende testes com hidroxicloroquina, o medicamento sugerido por Trump
Decisão conhecida dias depois de um estudo sugerir que os antimaláricos cloroquina e hidroxicloroquina podem aumentar o risco de morte e arritmias em doentes hospitalizados com covid-19.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou esta segunda-feira a suspensão temporária dos ensaios clínicos com hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19 por razões de precaução e segurança.
“O grupo executivo implementou uma pausa temporária no braço da hidroxicloroquina no estudo Solidariedade, enquanto os dados de segurança são revistos pelo conselho de monitorização de dados de segurança”, disse Tedros Adhanom, diretor da OMS, em conferência de imprensa.
Mike Ryan, chefe do programa de emergências da OMS, disse que a decisão de suspender os ensaios de hidroxicloroquina foi tomada por “muita cautela”.
A suspensão acontece dias depois de um estudo sugerir que os antimaláricos cloroquina e hidroxicloroquina podem aumentar o risco de morte e arritmias em doentes hospitalizados com covid-19, defendendo que o seu uso como antivirais deve ser devidamente testado antes de tratar pacientes.
O estudo, divulgado pela revista médica britânica The Lancet, baseou-se na observação de dados de 14.888 doentes hospitalizados com covid-19 (infeção respiratória viral) que foram tratados com um ou ambos os medicamentos para a malária, combinados ou não com a administração dos antibióticos azitromicina e claritromicina, utilizados no tratamento de infeções pulmonares bacterianas.
A OMS já tinha alertado anteriormente contra a utilização da hidroxicloroquina – um medicamento para a malária – para tratar ou prevenir infeções pelo novo coronavírus, à exceção de testes clínicos.
O Presidente norte-americano é um dos principais defensores da hidroxicloroquina para tratar e prevenir a Covid-19.
Na semana passada, Donald Trump anunciou que estava a tomar o fármaco, apesar de não estar doente. “Tenho tomado na última semana. Um comprimido por dia e zero sintomas”, referiu.