Moçambique | PGR arrasa Sociedade Civil que advoga extradição de Chang para os EUA, onde está o “sentido patriótico e de soberania moçambicana”
No iniciou do seu 2º e último mandato Beatriz Buchili passou ao ataque e nesta quinta-feira (21) arrasou com as organizações da Sociedade Civil que tem feito campanha, nacional e internacional, para que o antigo ministro das Finanças que assinou as dívidas ilegais seja extraditado para o Estado Unidos da América (EUA), onde as autoridades judiciais deixaram claro que não tem jurisdição sobre o caso. Na plenária da Assembleia da República a Procuradora-Geral da República questionou onde está o “sentido patriótico e de soberania moçambicana”.
Após clarificar os motivos pelos quais o Ministério Público está a empenhado e vai continuar “a envidar esforços para que Manuel Chang seja extraditado para Moçambique, para o esclarecimento do processo da dívida pública”, a guardiã da legalidade passou ao ataque: “É curioso ainda que tenhamos activistas moçambicanos que se manifestam aqui, mas estão também em outras jurisdições à favor de uma outra decisão das autoridades daquele país e nada fazem, por exemplo, para persuadir aqueles países a cooperarem com as autoridades moçambicanas nos termos das leis e das convenções internacionais, e não só activistas, até deputados temos”, em alusão aos Estados Unidos da América, Reino Unido e África do Sul.
“Será que o interesse destes compatriotas é mesmo ver esclarecido o caso e ver o Estado moçambicano ressarcido? Ademais, esses mesmos compatriotas não são capazes de fazer a mesma pressão aos países em que solicitamos informações há sensivelmente 2 anos para alimentar os processos em curso nas nossas instituições judiciárias garantindo-se desta forma a celeridade e a justiça que como sociedade moçambicana todos clamamos”, questionou.
A Procuradora-Geral da República desmascarou a falácia de organizações como o Fórum de Monitoria do Orçamento e o Centro de Integridade Pública, “estes compatriotas continuam a divulgar que os Estados Unidos tem jurisdição e que o nosso processo foi instaurado à posteriori, quando na verdade o que tudo indica é que o processo americano foi instaurado e alimentado com base em elementos contidos nos pedidos de cooperação nos fóruns a que nos submetemos no âmbito da instrução preparatória do nosso processo, através do Relatório da Kroll que foi o Ministério Público moçambicano quem o fez, e nós não publicamos o relatório definitivo porque o processo ainda continua em instrução preparatória”.