Já há grupos de ajuda alimentar para profissionais da Cultura

Já há grupos de ajuda alimentar para profissionais da Cultura

16/05/2020 0 Por Carlos Joaquim

A crise no setor da Cultura já levou à criação de pelo menos dois grupos de ajuda alimentar, que começaram por Lisboa, mas nas últimas semanas ganharam núcleos no resto do país, e não sabem até quando terão de funcionar.
No caso do NOS SOS, promovido pela companhia de teatro Palco 13, o que começou como um plano de fazer duas entregas pontuais a profissionais do teatro, acabou por transformar-se em entregas semanais “a qualquer profissional que tenha uma intervenção direta ou indireta num espetáculo”.
O nome do projeto de ajuda alimentar pode ter duas leituras “Nós S.O.S.” e “Nossos”. “Nossos de uma classe artística com que temos contacto direto e indireto, e que nos apercebemos que está com fragilidades, com carências”, explicou à Lusa Marco Medeiros, da Palco 13, salientando que “o apoio” aos profissionais do setor cultural, “como se sabe, é reduzido”.
“Achámos que, mais do que uma crítica pública, neste momento tínhamos de agir. A crítica tem de continuar, as mudanças têm de acontecer, mas neste momento há pessoas que não podem esperar por essa mudança. E decidimos ‘atacar’ e proteger essas pessoas que estão com algumas necessidades neste momento”, afirmou.
No início, estipularam a campanha para “apenas dois dias”. “Mas os pedidos têm continuado e as doações, felizmente, têm continuado, e não conseguimos parar”, contou.
Além disso, o projeto “foi sendo alterado e adaptado para responder às necessidades”. “Começámos com um grupo restrito de profissionais do teatro, mas depois começámos a perceber que esta definição tinha de ser alargada. Infelizmente temos que definir balizas, como em todas as campanhas, porque senão não podemos responder a todos os casos”, afirmou.
A Palco 13 optou por recolher donativos em dinheiro, através de transferência bancária, para comprar os cabazes de ajuda alimentar.
“O nosso grupo não é assim tão grande e estamos todos no ativo, então escolhemos dois dias para esta iniciativa. Um dia de compras, separação de cabazes e desinfeção, e o outro para distribuição. Tudo o que é recolha de bens obriga a um dia extra”, contou Marco Medeiros.
No entanto, os donativos em géneros não são recusados: “Há quintas que nos dão legumes e vamos recolher”.
Marco Medeiros não tem um número certo das pessoas que ajudam – esta semana, na zona de Lisboa entregaram 13 cabazes, “que parece pouco se fosse apenas um saco” -, mas “as pessoas não têm sido as mesmas de umas semanas para as outras”.

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