Ministra diz que “grande parte dos produtos alimentares deve registar queda de preços”

Ministra diz que “grande parte dos produtos alimentares deve registar queda de preços”

21/04/2020 0 Por Carlos Joaquim

A ministra da Agricultura afirmou hoje que é esperada uma queda geral dos preços em grande parte dos produtos devido à alteração dos padrões de consumo, potenciada pela covid-19, destacando o papel da agricultura de pequena dimensão.

Espera-se “uma redução geral dos preços de grande parte dos produtos alimentares, tendo em conta o elevado excesso da oferta”, apontou Maria do Céu Albuquerque, numa mensagem gravada para a abertura da conferência ‘online’ “Agricultura para lá da covid-19”, organizada pela Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP).
Durante a sua intervenção, a governante destacou o papel da agricultura de pequena dimensão, que disse ser “essencial” para a coesão territorial, rendimento dos agricultores e para produção de produtos locais, onde se incluem os queijos e as raças autóctones.
Conforme apontou a ministra, o setor agroalimentar tem demonstrado “resiliência e capacidade de resposta”, muito devido ao mercado interno e ao facto de Portugal estar abrangido pela Política Agrícola Comum (PAC), que também será impactada pelo novo coronavírus.
“O quadro financeiro plurianual não está fechado e é de esperar uma transição mais longa para a introdução da nova PAC”, explicou.
Perante o impacto da covid-19 no setor serão necessários “ajustamentos aos instrumentos da PAC”, nomeadamente no Programa de Desenvolvimento Rural.
Maria do Céu Albuquerque alertou para que, apesar de Portugal estar a entrar num “novo conceito normalidade”, a única certeza “é que haverá incertezas”, sendo necessário “aprender com toda a experiência neste contexto atípico”.
Por sua vez, Francisco Avilez, professor emérito da Universidade de Lisboa, um dos convidados presentes na conferência, referiu ser importante “mitigar ao máximo” os efeitos da alteração da procura de bens alimentares, bem como tentar tornar o setor mais resiliente, tendo em conta que os impactos económicos do novo coronavírus vão decorrer “por uns largos meses”.
Grande parte dos produtos alimentares deve registar queda de ...
Já o economista Augusto Mateus vincou que o mundo e, em particular Portugal, está a viver “a maior crise de sempre”, com desafios “muitíssimos relevantes”, cuja recuperação prevê ser “lenta, assimétrica e gradual”.
Para o economista é necessário avançar com apoios que travem a morte de empresas competitivas, uma vez que as medidas de apoio ao rendimento não são suficientes.
O presidente do Crédito Agrícola, por seu turno, sublinhou que os bancos são “atores fundamentais” para ajudar a ultrapassar as crises, ressalvando que à crise na saúde pública e na economia poderá seguir-se uma crise bancária.