Rui Rio: “Com esta governação os portugueses podem ter alguma ambição desde que seja poucochinha”

Rui Rio: “Com esta governação os portugueses podem ter alguma ambição desde que seja poucochinha”

09/02/2020 0 Por Carlos Joaquim
Nos 50 minutos de discurso de encerramento do 38.º Congresso do PSD, Rui Rio deixou duras críticas ao modelo económico do governo e à degradação dos serviços públicos, com especial enfoque na saúde. A par, o líder do PSD defendeu reformas na justiça, no sistema político e na segurança social, garantindo a sua sustentabilidade no médio e longo prazo. Educação, ambiente, o desafio demográfico e a descentralização também não passaram ao lado deste discurso.
O líder do PSD arrancou o discurso de encerramento do congresso em Viana do Castelo com um apelo ao trabalho em prol do interesse nacional.
Depois de agradecer a presença dos representantes dos restantes partidos neste congresso, Rui Rio reiterou que “na política não devemos ter inimigos, mas tão só adversários, fruto das naturais diferenças de posicionamento político”.
Neste sentido, apelou: “se estamos todos pelo bem de Portugal, saibamos sempre que possível unir esforços em prol do interesse nacional”.
Apesar de reconhecer que, “do ponto de vista eleitoral”, é imperioso evidenciar as verdadeiras diferenças” entre os vários partidos — de forma a que os cidadãos possam “sair mais esclarecidos e fazer escolhas conscientes” —, Rio salientou que quando “inventamos ou ficcionamos [as diferenças], levando-as para lá da própria realidade e construindo barreiras que na prática não existem, só estamos a prejudicar esse mesmo interesse nacional”.
Rui Rio não quis deixar os parceiros sociais de fora deste apelo, lembrando que o diálogo social é vital para o país e que este “sempre foi um vetor estruturante dos partidos de ideologia social-democrata”.
O líder do PSD depressa passou à crítica do atual executivo, que diz não estar preparado para responder aos desafios de uma sociedade em transformação acelerada, o que irá causar desequilíbrios a nível social e ambiental.
“Adiar reformas, varrer os problemas para debaixo do tapete e fazer o discurso de que tudo está bem, como é timbre da atual governação, não é uma postura responsável, nem adequada à sociedade em que vivemos. A aceleração das transformações obriga exatamente ao contrário daquilo que o atual governo tem feito: obriga a uma predisposição para reformar muito maior. Um governo que não reforma e que se limita a gerir a conjuntura, é um governo que não está a preparar o futuro de Portugal”, disse Rio.
O líder do PSD começou por criticar o modelo de crescimento económico do atual executivo: “O país voltou a ter o consumo privado como principal motor do crescimento económico. Se essa estratégia é, por definição, errada na maior parte das conjunturas economias, principalmente em economias abertas, num país como o nosso, com um brutal endividamento externo, o caminho afigura-se ainda mais errado”.
O líder do PSD considera que é preciso “reverter o modelo [económico] deste governo” e justifica-o: “É que o saldo externo português voltou a agravar-se, as importações voltaram a superar as exportações. Temos também por isso de apostar num crescimento económico assente na produção de bens transacionáveis de maior valor acrescentado, de modo a equilibrar as nossas contas externas e potenciar um melhor nível de vida aos portugueses. Da forma como este governo o tem vindo a fazer jamais o país terá condições de pagar melhores salários e conseguir que a nossa economia possa criar melhores empregos”.
Apesar de reconhecer que “hoje temos efetivamente mais emprego”, Rui Rui salientou que é “emprego relativamente precário e manifestamente mal pago quando comparado com o nível salarial que é praticado nas restantes economias europeias”. “É cada vez mais estreita a diferença entre o salário mínimo nacional e o salário médio. Não porque o mínimo seja alto, mas por que o médio é baixo”, notou Rui Rio.
Assim, concluiu, “com esta governação os portugueses podem ter alguma ambição desde que ela seja poucochinha. Com este governo e com estas alianças parlamentares os portugueses poderão ter aumentos salariais de 0,5% ou de 0,7%, mas nunca terão aumentos que os catapultem para os padrões de vida europeus”.
“Para haver melhores salários são precisas melhores empresas e mais investimento. Só que este governo, e particularmente os seus aliados, amarrados que estão às conceções mais primárias da luta de classes, veem o capital como elemento explorador do trabalhador em vez de olhar para as empresas como unidades produtoras de riqueza, cujo êxito numa sociedade moderna deve ser repartido de forma justa por todos os fatores de produção”, disse Rio Rio.
Segundo o líder do PSD, é assim que “surge a maior carga fiscal da história de Portugal, uma carga fiscal própria de uma governação fortemente marcada pela ideologia comunista e socialista”.
Sobre uma das vitórias deste executivo, a eliminação do défice público, que Rio “aplaude naturalmente”, o líder do PSD destaca que esta não foi conseguida graças “a uma qualquer reforma na estrutura da despesa, mas sim à boleia da atual política monetária do Banco Central Europeu, de um permanente aumento de impostos e de uma política de cativações levada ao extremo”.