“No início não nos ligavam nenhuma e achavam que éramos uns doidinhos com isso das algas”. Hoje são uma referência de inovação em Aveiro

“No início não nos ligavam nenhuma e achavam que éramos uns doidinhos com isso das algas”. Hoje são uma referência de inovação em Aveiro

09/02/2020 0 Por Carlos Joaquim
No Bolho da Malhada, em Ílhavo, na margem do Rio Boco, antigas marinhas de sal e alguns contentores são hoje cenário de demonstração internacional de alguns caminhos da economia azul, a aquacultura multitrófica e produção de macroalgas.
São as instalações da Algaplus, uma empresa “de produção primária, aliada à biotecnologia azul, que tem por objeto principal o cultivo de algas”, que emprega 18 pessoas a tempo inteiro e tem reconhecimento internacional, estando já a desenvolver processos de transferência de tecnologia.
“No início não nos ligavam nenhuma e achavam que éramos uns doidinhos com isso das algas. Hoje estão a contactar-nos e já estão a desenvolver produtos com algas. Foi preciso um período de seis anos de resiliência, mas começa a haver uma mudança de mentalidades”, diz à Lusa Helena Abreu, jovem bióloga co-fundadora da Algaplus.
Numa manhã encoberta, com os cuidados devidos por se tratar de uma zona ambientalmente sensível, é para o Bolho da Malhada que se dirige um autocarro cheio de biólogos de várias nacionalidades.
Na variante circular que contorna Ílhavo mete por um caminho de saibro e transpõe um portão de rede, quedando-se quase junto à água, como intruso numa paisagem que mesmo a névoa deixa perceber plana, formada por antigas salinas onde se sucedem os pequenos tanques desenhados a torrão e lodo, como se fosse um vitral deitado, e a pouca luz é espelhada nos contentores que dão guarida a técnicos e cientistas da Algaplus, mais concentrados nos vidros de tubos de ensaio, pipetas e provetas do laboratório.
Abre-se a porta do autocarro para entrar Helena Abreu, que há seis anos, concluído o curso, se meteu com um colega a produzir macroalgas e que na viatura faz uma primeira preleção sobre a atividade aos visitantes, participantes no “Living Labs” que, ao abrigo do projeto europeu de aquacultura multitrófica integrada (INTEGRATE) vieram ver como funciona a integração sustentável do cultivo de macroalgas e da produção de peixe.