Das cidades ao interior, como se faz de Portugal um território inteligente? É esse o desafio que os autarcas lançam

Das cidades ao interior, como se faz de Portugal um território inteligente? É esse o desafio que os autarcas lançam

07/02/2020 0 Por Carlos Joaquim

Valongo é a primeira cidade inteligente a acolher a edição deste ano da Smart Cities Tour, numa altura em que 136 municípios já integram a rede nacional. Os autarcas trazem este ano para a discussão pública o conceito de coesão inteligente que pretende encontrar respostas para os territórios de baixa densidade, nomeadamente ao nível de fixar pessoas e empresas.

O que faz uma cidade inteligente? A tecnologia será provavelmente a resposta mais imediata, mas para as entidades envolvidas na Smart Cities Tour, uma iniciativa que há quatro anos percorre o país, trata-se de um meio para atingir um objetivo: proporcionar melhor qualidade de vida a quem habita nas cidades. A pergunta que se segue é por onde passa esta qualidade de vida e este tour visa identificar as melhores práticas já em curso nos municípios portugueses – um total de 136 concelhos que integram a rede de cidades inteligentes da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). Um número já significativo mas que ainda não representa metade dos 308 concelhos nacionais – o que também significa que há muito trabalho para fazer. E esse é o propósito desta iniciativa que junta a ANMP, a Nova IMS e um conjunto de empresas – Altice Portugal, EDP Distribuição, CTT e Deloitte – num projeto do qual o SAPO24 é também media partner na edição de 2020.
O roteiro desta edição envolve um conjunto de cinco cidades e arranca já na próxima semana, a 12 de fevereiro, em Valongo. Daí segue para Évora (27 de maio ), Covilhã (30 de junho), Monchique (29 de setembro), Oeiras (4 de novembro) e também Campo Maior, concelho que se junta a este périplo no âmbito de uma nova vertente – a da coesão. “Criámos um conceito novo, de smart cohesion, que consiste em pensar como é que, através da inteligência urbana, podemos olhar para os territórios de baixa densidade, como podem fixar pessoas e empresas e como a tecnologia pode ser utilizada para melhorar a qualidade de vida das pessoas e a gestão”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Viseu. Campo Maior, concelho que é sede da Delta e que tem sido apontado como exemplo em várias dimensões, foi, nesta nova vertente, a primeira escolha.
Um documento com 30 propostas que resultam das contribuições dos municípios portugueses define o conjunto de prioridades que os autarcas querem ver debatidos com o Governo no âmbito do novo Quadro Financeiro Plurianual Portugal 2030. Repartidas por cinco eixos – identidade, capital humanos, infraestruturas, conetividade e dados – as propostas vão desde temas relacionados com o património, cultura e tradição, à criação de laboratórios vivos de teste e prototipagem de novos produtos e serviços, ao investimento em serviços e infraestruturas mais sustentáveis, ao acesso livre à utilização das redes locais de IoT para ligação de sensores e ao incentivo do uso dos dados abertos em modelos colaborativos de cocriação.