Capital Europeia da Cultura 2027. O que têm a dizer as cidades candidatas?

Capital Europeia da Cultura 2027. O que têm a dizer as cidades candidatas?

30/01/2020 0 Por Carlos Joaquim

São nove as candidatas portuguesas a Capital Europeia da Cultura 2027. Aveiro, Évora e Leiria já começaram a mostrar o porquê de merecerem o galardão.

Aveiro com “uma cultura diferente”

O presidente da Câmara de Aveiro está convicto de que a cidade vai ser a Capital Europeia da Cultura 2027, sendo um pretexto para elevar o patamar cultural e não “uma festa para depois arrumar os andores”.
Ribau Esteves baseia essa convicção no facto de Aveiro ter “uma cultura diferente”, que cruza, por exemplo, o Museu de Santa Joana e a secular “Feira de Março” com o recente Festival dos Canais e com inspirações artísticas em suportes tecnológicos, a que não é alheio o facto de ter uma Universidade internacionalmente reconhecida nessas áreas do conhecimento.
“Assumimos as nossas lógicas e estamos a trabalhar com grande fulgor. Fizemos questão de fazer uma apresentação pública ‘fora da caixa’, em S. Jacinto, a freguesia mais distante, sem ser a entrega dos documentos na União Europeia, que deverá ocorrer em 2021, precisamente porque a nossa candidatura é também de inclusão e diferente”, justificou o autarca, em declarações à Lusa.
Segundo Ribau Esteves, a ideia da candidatura surgiu da “aposta forte” do executivo a que preside na Cultura: “Entendemos que os dois fatores principais diferenciadores de um território são exatamente a Cultura e o Ambiente, e é nestes dois pilares que assenta a nossa política turística e a nossa política de ‘marketing’ territorial”.
Tomada a decisão de avançar, apetrechou-se de recursos humanos, como a contratação de José Pina como diretor geral e programador do Teatro Aveirense, com vista a valorizar a programação regular, mas também para ser o gestor técnico e político da candidatura de Aveiro a Capital Europeia da Cultura 2027.
A Cultura passou a ter expressão nos eventos mais marcantes do município, como a Feira de Março, com mais de cinco séculos de história, em que a música ganhou “um peso forte, como nunca tinha tido”.
A par da tradição, foram surgindo novas iniciativas como os “Tech Days” ou as “Criatech Artistic”, estruturadas no Aveiro Tech City” e agregadas várias manifestações no Festival dos Canais, que vai na quarta edição, “pensado também já na lógica da diferenciação do calendário de eventos principais”.
“Correspondem a uma outra ligação que nós queremos fazer que é a do discurso cultural à capacidade tecnológica que Aveiro já tem e que obviamente queremos aprofundar”, diz.
Segundo o autarca, Aveiro já está a mudar em resultado dessa aposta, citando o testemunho de um dirigente académico que publicamente afirmou ter chegado, há cinco anos, para fazer o seu curso, a uma cidade “morta” e ao deixá-la sente uma urbe com dinâmica cultural e com uma multiplicidade de eventos.
“O que nós estamos a ganhar já, e é o que queremos ganhar muito até 2027, é este processo de fortalecimento da rede cultural, este processo de qualificação, obviamente preocupados mais com a qualidade do que com a quantidade, reconhecendo que também na quantidade temos coisas a fazer”, diz o autarca sobre os passos já dados.
Ribau Esteves admite como improvável estar à frente da Câmara em 2027, mas espera que a promoção cultural de Aveiro tenha continuidade.
“Entendo que a candidatura é um processo que tem de ser alimentado, que nos leva para um patamar cultural superior onde queremos estar e não exatamente uma grande festa onde, depois arrumados os andores, voltamos ao nosso patamar mais baixo. Isso julgo que seria uma perda naquilo que é a rentabilização de um investimento desta natureza”, conclui.