Os fariseus e os saduceus do nosso tempo

Os fariseus e os saduceus do nosso tempo

19/01/2020 0 Por Carlos Joaquim
A crítica aos “fariseus” é recorrente nas palavras do Papa Francisco. Em numerosos discursos entre 2013 e 2015, ele falou sobre a “doença dos fariseus” (7 de setembro de 2013), “que acusam Jesus de não respeitar o sábado” (1° de abril de 2014); sobre a “tentação da suficiência e do clericalismo, que codificam a crença em normas e instruções, como faziam os escribas, os fariseus e os doutores da lei do tempo de Jesus” (19 de setembro de 2014).
No Angelus de 30 de agosto, ele disse que, como com os fariseus, “existe também para nós o perigo de nos considerarmos retos, ou, pior, melhor do que os outros, pelo simples fato de observarmos as regras, os costumes, mesmo se não amamos o próximo, se somos duros de coração, se somos soberbos, orgulhosos”. Em 8 de novembro de 2015 ele contrapôs a atitude dos escribas e dos fariseus, fundadas na “exclusão”, à de Jesus, fundada na “inclusão”.
A referência aos fariseus é evidente, finalmente, no discurso com o qual o Papa concluiu em 24 de outubro o XIV Sínodo Ordinário sobre a família. Os outros seriam, com efeito, “os corações fechados que muitas vezes se escondem atrás até mesmo dos ensinamentos da Igreja, ou atrás das boas intenções, para sentar-se na cadeira de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, casos difíceis e famílias feridas” ou “os fariseus, que faziam da religião um conjunto infinito de mandamentos” (26 de junho de 2014)? Fariseu parece ser quem defende com orgulho obstinado a existência de mandamentos, leis, regras da Igreja absolutas e obrigatórias.