Livre quer ver-se livre de Joacine Katar Moreira em Congresso que começa hoje

Livre quer ver-se livre de Joacine Katar Moreira em Congresso que começa hoje

18/01/2020 0 Por Carlos Joaquim
Um partido em rutura com a sua única deputada vai a congresso este fim de semana. Em jogo, em última instância, está a sua representação parlamentar. As moções, a lista única e “uma diferença fundamental entre autonomia e desresponsabilização” – é esta a agenda.
Primeiro foi a notícia de que Joacine Katar Moreira não integrava a lista única de candidatos à direção do Livre, partido que elege, este sábado e domingo, os novos órgãos nacionais no seu IX Congresso.
”Hei-nos chegados a um ponto em que as causas defendidas pelo LIVRE parecem não conseguir sobrepor-se ao ruído constante provocado pelos ‘faits divers’ mais estapafúrdios; em que o coletivo parece soçobrar numa desmedida exposição mediática do indivíduo; em que o partido se arrisca a ver a sua própria sobrevivência posta em causa”, justificam.
O texto, intitulado “Recuperar o Livre, resgatar a política”, sublinha que o partido começou a ser conhecido na opinião pública não pelas razões pretendidas, mas por “peripécias, atribulações e polémicas internas”, gerando uma situação “não apenas preocupante como confrangedora”.
Na moção pode ler-se ainda que as intervenções da deputada no hemiciclo evidenciam “falta de preparação, circunstância que encontra parte da explicação no facto do gabinete parlamentar assumir uma postura dissidente em relação aos órgãos do partido, com destaque para o Grupo de Contacto”.
Por estas razões, “no caso de a deputada não se dispuser a renunciar às suas funções, o Livre não tem outra alternativa a não ser retirar-lhe a confiança política”, conclui o texto.
Esta quinta-feira, 16 de janeiro, a ruptura confirmou-se. Assembleia do partido Livre, órgão máximo entre congressos, decidiu retirar a confiança política na sua representação parlamentar, justificando que “não se vislumbra da parte da deputada, Joacine Katar Moreira, qualquer vontade em entender a gravidade da sua postura, nem intenção de a alterar”.
Assim, a “Assembleia do Livre delibera retirar a confiança política à deputada, pelo que deixa de reconhecer o exercício do seu mandato como sendo exercido em representação do Livre”.
Segundo a mesma resolução, a decisão é tomada “com profundo pesar” e “na plena consciência das consequências gravosas que daí advêm para a capacidade do Livre marcar a atual legislatura da Assembleia da República”. “No entanto, não podemos manter a confiança política em quem, por opção própria, reiteradamente prescindiu de nos representar”, pode ler-se no documento a que a Lusa teve acesso.
Segundo o Grupo de Contacto (GC), Joacine Katar Moreira, desrespeitou os pontos específicos da 40º resolução, na qual se apelava a um trabalho “de confiança” entre o GC e a deputada. A comunicação, dizem, foi cortada “unilateralmente”, nunca tendo sido justificado à Assembleia do partido motivos para tal.