Presidente do Instituto de Apoio à Criança diz que jovem sem-abrigo não quis matar filho que deitou no lixo
A presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC) defendeu ontem que a jovem sem-abrigo que deitou na terça-feira o filho recém-nascido no lixo, em Lisboa, expôs o bebé ao abandono sem querer matá-lo.
Segundo Dulce Rocha, a mãe, de 22 anos, estava numa situação de vulnerabilidade que a levou a abandonar o filho.
“Esta mãe está muito sozinha, muito desesperada, sem apoio familiar, senão não tinha praticado o que praticou”, disse a magistrada à Lusa, considerando que o crime em causa é “exposição ao abandono” e não tentativa de homicídio.
A presidente do IAC entende que “não há indícios”, como lesões ou sinais de asfixia, que apontem para tentativa de homicídio.
A mãe, detida hoje de madrugada em Lisboa e ouvida em primeiro interrogatório judicial, vai aguardar julgamento em prisão preventiva, indiciada da prática de homicídio qualificado na forma tentada, indicou fonte da PJ, que conduziu as investigações.
Dulce Rocha reiterou que o bebé deve ser encaminhado para adoção e entregue a uma família que o ame, saiba cuidar dele e “não coloque a criança novamente em perigo”.