Mundo | Lituânia — 30 anos da Via Báltica

Mundo | Lituânia — 30 anos da Via Báltica

18/10/2019 0 Por Carlos Joaquim
No dia 23 de agosto de 1989 completava-se meio século da assinatura do infame Pacto Ribbentrop-Molotov, também conhecido como Pacto Hitler-Stalin, que em seus protocolos secretos estabeleceu “zonas de influência” da Rússia soviética e da Alemanha nazista no Báltico e na Europa Oriental. Tais protocolos secretos, vindos a público com o processo de Nürenberg, mas somente admitidos pela Rússia em dezembro de 1989, puseram ilegalmente sob o jugo soviético a Lituânia, a Letônia e a Estônia.
Foram cinco décadas de supressão das liberdades mais fundamentais e de uma perseguição feroz à Religião. A par disso, a instauração do regime comunista — “intrinsecamente perverso”, como afirmou o Papa Pio XI — produziu tremenda estagnação econômica, e consequentemente uma miséria generalizada.
Os povos bálticos, e em particular a Lituânia, nunca se resignaram com a opressão dos ateus de Moscou. Inicialmente os combateram por meio das armas, com a heroica resistência dos “partisanos”; depois, com o inconformismo e uma boa dose de fidelidade aos princípios da civilização cristã, pois a Lituânia é um país majoritariamente católico. Tudo isso alimentou um descontentamento de grandes proporções na opinião pública, ao longo dos anos, desembocando em 1989 na organização da Via Báltica, primeiro passo rumo à declaração de independência.
Partindo de Vilnius, passando por Riga e chegando a Tallin, numa extensão de 600 quilômetros, a Via Báltica uniu essas três capitais no dia 23 de agosto, com mais de um milhão de manifestantes. De mãos dadas, lituanos, letões e estonianos constituíram a mais longa cadeia humana da História, um protesto pacífico e mudo, mas de grande carga simbólica. “Vis unita fit fortior” – ela simbolizava a resolução inabalável dos povos bálticos de reconquistar sua liberdade a qualquer preço.