Cultura | Amália Rodrigues apoiou a causa antifascista, revela investigação da Visão

Cultura | Amália Rodrigues apoiou a causa antifascista, revela investigação da Visão

18/10/2019 0 Por Carlos Joaquim
A fadista Amália Rodrigues, que chegou a ser acusada de estar ao serviço do Estado Novo, financiou presos políticos e apoiou a causa antifascista durante a ditadura, revela uma investigação publicada hoje pela revista Visão Biografia.
Numa altura em que se assinalam os vinte anos da morte da fadista, aquela publicação revela uma investigação do jornalista Miguel Carvalho sobre a forma como Amália Rodrigues lidou com as pressões do regime de Oliveira Salazar e, ao mesmo tempo, manteve relações clandestinas com a oposição, apoiando intelectuais oposicionistas.
Na investigação, feita com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, são apresentados documentos oficiais que tanto confirmam que Amália Rodrigues foi vigiada pela PIDE, a polícia política da ditadura do Estado Novo, por suspeita de apoio aos comunistas, como revelam que manteve atitudes ambíguas com o regime.
Entre os documentos revelados está um registo dos serviços centrais da PIDE com o pedido de bilhete de identidade de Amália Rodrigues, de 1957, e um relatório de 1939 que incluía o nome da fadista na denominada “Organização Comunista no Fado”.
É ainda revelada uma carta do arquivo de Oliveira Salazar, “até hoje inédita”, que Amália Rodrigues lhe escreveu dias antes da inauguração da atual ponte 25 de Abril, em 1966, e na qual, escreve o jornalista Miguel Carvalho, a artista “se derrete de orgulho pátrio e elogios ao destinatário”.
Na Visão Biografia, lê-se que Amália Rodrigues foi “capaz de dançar ao som da música do regime”, enquanto ajudou e deu dinheiro a quem lutou e sofreu para o derrotar.
Cruzando depoimentos recolhidos para esta investigação, factos históricos, depoimentos de arquivo, recortes de imprensa e várias entrevistas de Amália Rodrigues, a investigação jornalística junta pontas soltas sobre as relações políticas e privadas da fadista, que morreu em 1999.
Um dos testemunhos recolhidos é o do histórico político do PCP Domingos Abrantes que afirma ser “um facto confirmadíssimo” que Amália Rodrigues, por exemplo, ajudou o MUD Juvenil (Movimento de Unidade Democrática).