Mundo | A busca mundial de uma mulher com leucemia para encontrar um dador de medula compatível
Tenho leucemia. A minha herança africana não me deixa encontrar um dador de medula.” O apelo da alemã Astrid está a correr mundo. No sábado vai haver uma campanha de recolha de sangue e registo de dadores de medula óssea em Lisboa
Sara Rodrigues
Jornalista
Astrid tem 42 anos, vive em Frankfurt, na Alemanha, e uma doença que depende da ajuda de outra pessoa. Precisa com urgência de um transplante de medula óssea.
Desde janeiro, altura em que os médicos chegaram à conclusão que as sessões de quimioterapia não estavam a resultar, que os seus familiares e amigos andam a correr mundo para encontrar um dador compatível para reverter a leucemia mieloide aguda de Astrid.
O facto de ter origem multi-étnica (pai nigeriano e mãe alemã) tem transformado esta busca naquilo que se costuma apelidar de “procurar uma agulha num palheiro”.
A origem étnica tem um papel fundamental nas doações de células estaminais. Para haver o que se costuma designar de match (pessoa compatível com outra, podendo ser a dadora) tem de existir a mesma herança genética. E o problema é ainda mais complicado quando há genes mistos, como é o caso de Astrid, já que apenas 3% dos dadores registados são multi-étnicos.
Haver um dador compatível é mais difícil para as pessoas que não são brancas, já que, dos mais de 35 milhões de dadores que existem no mundo, 95% são caucasianos e a sua constituição genética é diferente de um indivíduo negro ou oriental.
Depois de verificar, a nível mundial, que não existia ninguém compatível registado e que os dadores multi-étnicos eram uma pequena minoria, a família e os amigos lançaram-se numa corrida mundial para a ajudar, mas também para alertar para a diminuta lista de pessoas de origem africana ou com genes mistos.
