Moçambique | Presidente Nyusi exige solução rápida ao exército para conter terrorismo em Cabo Delgado, académico alerta que solução militar “não vai resolver nada”

Moçambique | Presidente Nyusi exige solução rápida ao exército para conter terrorismo em Cabo Delgado, académico alerta que solução militar “não vai resolver nada”

27/09/2019 0 Por Carlos Joaquim
Após mais um ataque mortífero na Província de Cabo Delgado o Presidente Filipe Nyusi exigiu às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) uma solução rápida. Porém o professor João Feijó alertou que “é preciso repensar esta solução militar, ela não vai resolver nada” pois o terrorismo que dura há 2 anos no Norte do país estará relacionado com a pobreza generalizada, o aumento de expectativas sociais frustradas e movimentos de extremismo identitário tendo constatado ainda que “as zonas onde há mais ataques são as zonas onde há menos votos no partido Frelimo”.
Pelo menos 12 civis foram assassinados nesta segunda-feira (23) nos mais recentes ataques protagonizados por desconhecidos que continuam a semear o terror na Província de Cabo Delgado. Duas das vítimas, de acordo com o Centro de Integridade Pública, eram camponeses do sexo masculino, com idades entre 28 a 30 anos, que foram mortos e esquartejados na povoação de Limala, localidade de Mengueleua, no Distrito de Muidumbe.
Cerca das 18 horas do mesmo dia, no Posto Administrativo de Mbau, a 83 km da vila sede do Distrito de Mocímboa da Praia, outros dez civis foram assassinados, um grande número de residências foi incendiado incluindo a sede local do partido Frelimo.
Presume-se que estes dois ataques tenham sido obra dos grupos que aterrorizam o norte de Cabo Delgado desde Outubro de 2017 e que são apelidados pelos locais de “Al Shabaab”, por ser constituídos por jovens.
Na terça-feira (24), dirigindo-se aos oficiais generais das FADM, que o foram saudar por ocasião da passagem dos 55 anos do desencadeamento da Luta Armada de Libertação Nacional, o Chefe de Estado exigiu uma “resposta eficiente” face aos ataques, de modo a restaurar-se a paz, segurança e tranquilidade para a população das áreas afectadas.
“Já está a ficar tarde para cuidar deste assunto”, enfatizou Nyusi instando os líderes do exército a reverterem o actual cenário que leva a população a pensar que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique não estão a fazer nada.
“Valorizem a história dos heróis do 25 de Setembro de 1974, criando condições para erradicar a violência que ameaça a população de Cabo Delgado e garantir a manutenção da paz em todo o território nacional”, apelou ainda o Comandante em Chefe de todas as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique.
Contudo João Feijó, Doutorando em Estudos Africanos e autor de investigação recente sobre a violência na Província de Cabo Delgado, disse recentemente que: “É preciso repensar esta solução militar, ela não vai resolver nada, pelo contrário as evidências demostram que as prisões são centros de formação de indivíduos extremistas e assim que são libertos ninguém sabe para onde é que eles vão e desconfia-se que se juntem aos movimentos insurgentes”.