Opinião | A cara nova da Europa

Opinião | A cara nova da Europa

04/06/2019 0 Por Carlos Joaquim
Cara nova da Europa. Tornaram-se mais nítidos traços de preocupação, sulcos de esperança, vislumbres de rumos diferentes. Apareceram mais visíveis depois que 427 milhões de eleitores foram às urnas para eleger 751 deputados (um terço dos quais mulheres), com mandato de cinco anos.
Preciso melhor. Às urnas, encerradas no dia 26 pp., foram bem menos, 50,82% do total possível, contudo a maior participação em 25 anos, revertendo tendência constante de queda desde 1979. Em 2015, o comparecimento foi de 42,6%. Agora pesou forte o temor da imigração desordenada e destrutiva, autêntica invasão; junto dele o da avalancha muçulmana. Para boa parte dos europeus, chegou a hora da reação. Sabem, a inércia é via para a morte da Europa como continente cristão e civilizado.
Reagir, sim, concordo, só mortos e moribundos não reagem. Mas o foco deve ser posto em outro ponto: como resistir e sob quais bandeiras? Se os europeus errarem aqui, abraçando escolhas falsas, a situação lá na frente aparecerá pior do que já está, agravada pela decepção e desespero. No fundo do panorama, em todos os cenários, percebe-se na bruma o olhar enigmático de Vladimir Putin.
Convém constar, em alguns países o eleitorado se mostrou pouco reativo. Por exemplo, Eslováquia (22,74%), Eslovênia (28,29%), República Checa (28,72%), Portugal (31,01%). As maiores porcentagens de comparecimento foram as da Bélgica (88,47%) e Luxemburgo (84,10%), Estados em que o voto é obrigatório, o que desnatura a amostra. Muita gente vota para não ser punida.