Presidente do IPST desmente relação entre demissão e dádiva de sangue por homossexuais

22/09/2016 0 Por Carlos Joaquim

O
Presidente do Instituto Português do Sangue pediu a demissão,
alegando razões pessoais. A saída concretiza-se dias depois de a
DGS ter autorizado a dádiva de sangue por homossexuais. Em
comunicado, Hélder Trindade garante que o pedido já tinha sido
apresentado anteriormente e não está relacionado com a decisão da
DGS.

22 Set, 2016, 11:07 / atualizado em 22 Set, 2016, 11:30 | País
Presidente do IPST desmente relação entre demissão e dádiva de sangue por homossexuais

No
documento enviado às redações, Hélder Trindade insiste que a
decisão de abandonar a presidência do Instituto Português do
Sangue e da Transplantação é uma decisão do “exclusivo foro
pessoal” e que foi apresentado “algum tempo antes da autorização
da DGS para a dádiva de sangue por homossexuais masculinos”.
“Repudia-me
por isso qualquer associação entre a demissão e o referido
documento da DGS, por ser mentira e por ser, no limite, desajustado.
De facto, nunca seria essa uma razão para decidir terminar a minha
missão no IPST”, garante.
Hélder
Trindade refere ainda que aguarda pelo momento em que será
substituído no cargo. “Todo o trabalho que desenvolvi durante o
meu mandato foi no sentido de pugnar pelo melhor cumprimento da
missão do IPST”, explicita.
DGS
acaba com “suspensão definitiva”

A
demissão do especialista em transplantação, que estava no cargo
desde 2011, foi confirmada esta quinta-feira pelo Ministério da
Saúde. 

O
pedido de demissão ocorre poucos dias depois de a Direção-Geral da
Saúde ter divulgado uma norma de orientação clínica no sentido de
permitir a dádiva de sangue por parte de homossexuais e bissexuais,
embora condicionada a um período de abstinência de um ano.

Estas
novas regras vêm pôr fim à proibição total de homens que fazem
sexo com homens – homossexuais e bissexuais – poderem dar sangue,
passando aquilo que é hoje considerado como “critério de
suspensão definitiva” para “critério de suspensão
temporária”.

Na
prática, os homossexuais e bissexuais passam a poder ser dadores de
sangue, estando sujeitos à aplicação de um período de suspensão
temporária de 12 meses após o último contacto sexual, com
avaliação analítica posterior.

A
norma, publicada na página da DGS na segunda-feira, vem também
estabelecer um período de suspensão de 12 meses após o último
contacto sexual para pessoas que tenham tido parceiros portadores de
infeção por VIH, hepatite B e hepatite C.

Hélder
Trindade já tinha sido contestado pelo Bloco de Esquerda em 2015,
por este ter afirmado que só admitia dadores homossexuais que fossem
abstinentes.

c/
Lusa

rtp.pt
Comentário: não saiu pela porta da melhor dignidade.
J. Carlos
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