Exposição inaugura a 9 de julho Museu do Vidro – expõe obra de Olinda Colaço

01/07/2016 0 Por Carlos Joaquim

O Museu do Vidro, situado
no Paláco Stephens, na Marinha Grande, inaugura a exposição “Olinda Colaço, a
arte de pintar o vidro”, no dia 9 de julho (sábado), pelas 16h00. A entrada é
livre.

Com uma carreira de cerca de 30 anos na
arte de pintar o vidro, Olinda Colaço é uma das mais notáveis pintoras de vidro
em Portugal. A exposição “Olinda Colaço, a arte de pintar o vidro” apresenta um
conjunto de obras que pretendem retratar o percurso da artista ao longo de
quase três décadas de saber e de talento na arte de pintar o vidro.

A exposição pode ser visitada no Museu do
Vidro até 27 de fevereiro de 2017, de terça-feira a domingo, das 10h00 às 13h00
e das 14h00 às 18h00.

Na pintura em vidro “não há segunda
oportunidade”

Maria Olinda Gomes Roldão Colaço,
conhecida como Olinda Colaço, é uma artista exímia na pintura em vidro, cujo
trabalho esteve patente em várias exposições nacionais e internacionais.

Filha de Tomás de Oliveira Roldão,
funcionário público, e de Zulmira da Conceição Gomes Roldão, doméstica, Olinda
nasceu na Marinha Grande em 1945 e desde cedo deixou-se cativar pelo desenho. 

Na Escola Industrial foi aluna dos
professores Calazans Duarte e Nery Capucho. Talvez tenha herdado a sua mestria
do pai, que tinha grande talento para a pintura e chegou a elaborar o catálogo
da fábrica Angolana em aguarela. 

Olinda tirou o curso de Formação Feminina
com 19 anos, no qual adquiriu muita prática a desenho, cujo talento foi
reconhecido por Nery Capucho que a incentivou a ingressar na Escola de Belas
Artes. Tal não aconteceu porque o pai não autorizou, mas Olinda não se
arrepende: o seu percurso artístico não sofreu influência de ninguém, as suas
opções foram livres e sem quaisquer condicionalismos. 

O seu sonho era a escultura mas optou
pela pintura por ser a que lhe dava mais garantias de futuro. Integrou o grupo
de trabalho da “Gisarte”, uma fábrica de decalcomanias, onde trabalhou três
anos. Criou uma série de desenhos dos jogadores de futebol do Sporting e do
Benfica e obteve a exclusividade dos desenhos para o programa televisivo
“Carrossel Mágico”. 

Em 1966, com 21 anos, conseguiu
autorização da Disney para realizar a título exclusivo todos os desenhos da
história da Branca de Neve e os Sete Anões. Nesse ano, a pedido da Câmara
Municipal de Leiria, elaborou o primeiro pergaminho para o Vaticano. Dois anos
depois sucederam-se outros dois pergaminhos, pedidos pelas autarquias de
Marinha Grande e Leiria.

Trabalhou na empresa José Rolando Gomes
da Silva – Roland Decal até 1981, onde chefiou as secções de desenho,
fotografia e serigrafia, e foi desenhadora criadora, autora de centenas de
autocolantes sobre o 25 de Abril de 1974. Paralelamente elaborou o primeiro
catálogo a cores para a Fábrica-Escola Irmãos Stephens. 

Incentivada pelo marido a prosseguir a
sua arte, decidiu dedicar-se inteiramente às artes plásticas em 1980. O talento
outrora escondido revelou-se nas diversas exposições que participou. Desde
1973, ano da primeira exposição realizada em Leiria, no âmbito da inauguração
da Galeria Capitel, Olinda Colaço sente o reconhecimento público pelo seu
trabalho, impregnado de emoção e ternura nos motivos que adota para as suas
peças. A versatilidade de técnicas também é notória, desde pintura a óleo, a
aguarela, em vidro ou aplicação em biscuit, assume cada peça como “uma
experiência constante”.

Teve sempre um fascínio muito grande em
pintar o vidro porque não há segunda oportunidade, “não há retoques”, em caso
de erro há que apagar e fazer de novo. 

Começou este desafio em 1980 com a
criação de uma linha de peças em vidro de cor, pois além de realçar a pintura a
cor condiciona o motivo a pintar. Nesse ano realizou a sua primeira exposição
exclusivamente com peças em vidro, no Salão Nobre da Câmara Municipal da
Marinha Grande. 

Chamou a si a responsabilidade pelo
desenho das peças em vidro e dos respetivos moldes, sendo as mesmas produzidas
na fábrica Ivima exclusivamente para si, e nas quais criou um estilo único de
decoração no vidro a fogo – são mais de 10 mil as peças pintadas e que estão
espalhadas pelo país e pelo estrangeiro. Por motivos de saúde teve de abandonar
este tipo de pintura mas nem por isso deixou de trabalhar, abraçando novas
experiências artísticas.

Entre 2002 e 2010 foi formadora na área
da pintura em vidro, no Crisform, e em 2006 foi alvo de homenagem pela Câmara
Municipal da Marinha Grande, na 6ª Bienal de Artes Plásticas, como
reconhecimento pela sua carreira.

Valoriza a troca de experiência, a
aprendizagem e partilha de técnicas, que lhe permite evoluir artisticamente e
produzir peças únicas e de qualidade ao longo de quase meio século de
inspiração e talento.