O ÁLCOOL AFECTA O CÉREBRO
Enquanto
na mulher a ingestão diária de 20 gramas de álcool pode criar graves problemas
hepáticos, no homem é necessário que a ingestão seja bastante maior.
na mulher a ingestão diária de 20 gramas de álcool pode criar graves problemas
hepáticos, no homem é necessário que a ingestão seja bastante maior.
Não
é preciso recorrer a definições sobre o alcoolismo para falar sobre o tema que
queremos abordar. Um consumo excessivo e frequente de álcool afecta de forma
directa o cérebro pelo seu efeito químico sobre o sistema nervoso central.
é preciso recorrer a definições sobre o alcoolismo para falar sobre o tema que
queremos abordar. Um consumo excessivo e frequente de álcool afecta de forma
directa o cérebro pelo seu efeito químico sobre o sistema nervoso central.
Por
outras palavras, quando há um consumo crónico de álcool, o cérebro é atacado em
várias frentes: a intoxicação directa, a abstinência depois da intoxicação, os
possíveis acidentes vasculares, a possível embriaguez e a alimentação
insuficiente que acompanha a ingestão excessiva de álcool.
outras palavras, quando há um consumo crónico de álcool, o cérebro é atacado em
várias frentes: a intoxicação directa, a abstinência depois da intoxicação, os
possíveis acidentes vasculares, a possível embriaguez e a alimentação
insuficiente que acompanha a ingestão excessiva de álcool.
O
que foi demonstrado -de acordo com o British Medical Journal -através de
estudos radiológicos, é a redução do volume do cérebro em muitos alcoólicos
crónicos. Este efeito é parcialmente reversível com a abstinência, apesar dessa
reversão só se verificar a nível do volume e não da função cerebral. Ou seja, é
possível recuperar o tamanho mas não inverter os danos cerebrais sofridos.
que foi demonstrado -de acordo com o British Medical Journal -através de
estudos radiológicos, é a redução do volume do cérebro em muitos alcoólicos
crónicos. Este efeito é parcialmente reversível com a abstinência, apesar dessa
reversão só se verificar a nível do volume e não da função cerebral. Ou seja, é
possível recuperar o tamanho mas não inverter os danos cerebrais sofridos.
O
que o álcool parece fazer, segundo as imagens obtidas, é um aumento dos
ventrículos e dos sulcos cerebrais. Por outras palavras, aumentam os espaços
vazios e diminui a massa. Essas alterações podem solucionar-se com a
abstinência, mas o restabelecimento é muito lento.
que o álcool parece fazer, segundo as imagens obtidas, é um aumento dos
ventrículos e dos sulcos cerebrais. Por outras palavras, aumentam os espaços
vazios e diminui a massa. Essas alterações podem solucionar-se com a
abstinência, mas o restabelecimento é muito lento.
Causas
As causas não são claras. Para uns,
parece que há uma queda da água durante a etapa alcoólica e que quando se
produz uma abstinência prolongada regressa a hidratação. Contudo, outros
cientistas apoiam tese diferentes: na época de maior consumo é quando o cérebro
é mais hidratado.
Num dos últimos estudos realizados foi possível medir o espaço intracraneal não
ocupado pelo cérebro em 26 pessoas alcoólicas e compará-los com 44 casos de
controlo. E, sem dúvida, que o espaço era muito maior entre os alcoólicos e
mais ainda entre aqueles que também tinham problemas a nível do fígado (ou
seja, os mais crónicos e os mais afectados).
As causas não são claras. Para uns,
parece que há uma queda da água durante a etapa alcoólica e que quando se
produz uma abstinência prolongada regressa a hidratação. Contudo, outros
cientistas apoiam tese diferentes: na época de maior consumo é quando o cérebro
é mais hidratado.
Num dos últimos estudos realizados foi possível medir o espaço intracraneal não
ocupado pelo cérebro em 26 pessoas alcoólicas e compará-los com 44 casos de
controlo. E, sem dúvida, que o espaço era muito maior entre os alcoólicos e
mais ainda entre aqueles que também tinham problemas a nível do fígado (ou
seja, os mais crónicos e os mais afectados).
Essa
atrofia cerebral teria como reflexo uma disfunção a nível da inteligência,
problemas oculares e dificuldades na marcha. Uma boa parte apresentava falhas
na memória recente (o síndroma de Korsakov).
atrofia cerebral teria como reflexo uma disfunção a nível da inteligência,
problemas oculares e dificuldades na marcha. Uma boa parte apresentava falhas
na memória recente (o síndroma de Korsakov).
É
curioso destacar que não há uma relação directa entre os danos hepáticos
resultantes do álcool e a atrofia cerebral. É verdade que a redução era muito
maior entre os alcoólicos que tinham, além disso, danos a nível do fígado.
Contudo não é possível constatar que a função cerebral estivesses mais ou menos
alterada segundo a afecção do fígado. Não obstante, há casos em que a cirrose
alcoólica está directamente relacionada com um dano cerebral sério.
curioso destacar que não há uma relação directa entre os danos hepáticos
resultantes do álcool e a atrofia cerebral. É verdade que a redução era muito
maior entre os alcoólicos que tinham, além disso, danos a nível do fígado.
Contudo não é possível constatar que a função cerebral estivesses mais ou menos
alterada segundo a afecção do fígado. Não obstante, há casos em que a cirrose
alcoólica está directamente relacionada com um dano cerebral sério.
A
conclusão que os especialistas retiraram de tudo isto é que podem ser múltiplos
os factores que provocam danos cerebrais nos alcoólicos. Além disso sabe-se,
igualmente, que os danos se devem, também, a uma deficiência nutricional e a
carência de vitamina B.
conclusão que os especialistas retiraram de tudo isto é que podem ser múltiplos
os factores que provocam danos cerebrais nos alcoólicos. Além disso sabe-se,
igualmente, que os danos se devem, também, a uma deficiência nutricional e a
carência de vitamina B.
Curiosidades
• Durante exercícios de memória
realizados entre alcoólicos, comparados com abstémicos, comprovou-se que os
bebedores modificavam umas determinadas ondas cerebrais.
• Durante exercícios de memória
realizados entre alcoólicos, comparados com abstémicos, comprovou-se que os
bebedores modificavam umas determinadas ondas cerebrais.
•
Há estudos que mostram que o álcool pode secar materialmente os neurónios.
Há estudos que mostram que o álcool pode secar materialmente os neurónios.
•
O primeiro efeito do entumecimento cerebral causado pelo álcool pode ser
comprovado pela euforia que alguns copos bebidos provoca.
• As funções cerebrais superiores são as que primeiro são bloqueadas pelo
álcool. Por isso, quanto mais álcool se ingere, menos humanizada fica a pessoa,
ficando pelo contrário mais primária.
O primeiro efeito do entumecimento cerebral causado pelo álcool pode ser
comprovado pela euforia que alguns copos bebidos provoca.
• As funções cerebrais superiores são as que primeiro são bloqueadas pelo
álcool. Por isso, quanto mais álcool se ingere, menos humanizada fica a pessoa,
ficando pelo contrário mais primária.
•
Um escritor grego -Eubulo- dizia: “Um copo pela saúde, o segundo pelo desfrute e o terceiro pelo sonho. O quarto já não é nosso: é para a violência; o quinto
pelo escândalo e o sexto pela orgia escandalosa.”
Um escritor grego -Eubulo- dizia: “Um copo pela saúde, o segundo pelo desfrute e o terceiro pelo sonho. O quarto já não é nosso: é para a violência; o quinto
pelo escândalo e o sexto pela orgia escandalosa.”
•
Há que aprofundar mais em termos de uma possível atrofia cerebral provocada
pelo álcool. As consequências podem ser, com o consumo de bebidas alcoólicas,
muito importante.
Há que aprofundar mais em termos de uma possível atrofia cerebral provocada
pelo álcool. As consequências podem ser, com o consumo de bebidas alcoólicas,
muito importante.
•
Não se conhecem prazos, nem que quantidade atrofia, nem em quanto tempo nem
como se restabelece, uma vez deteriorado.
Não se conhecem prazos, nem que quantidade atrofia, nem em quanto tempo nem
como se restabelece, uma vez deteriorado.
•
Como os estudos e observações físicas foram realizados com cadáveres, ignora-se
como pode ser medida atrofia cerebral em vida.
Como os estudos e observações físicas foram realizados com cadáveres, ignora-se
como pode ser medida atrofia cerebral em vida.
•
A atrofia cerebral tem uma definição muito difícil e todos os graus possíveis
são uma percepção subjectiva de quem faz as provas. Contudo, há sintomas
inequívocos, como a dificuldade de linguagem, movimentos desordenados e, sem
dúvida, falhas e lacunas na memória.
A atrofia cerebral tem uma definição muito difícil e todos os graus possíveis
são uma percepção subjectiva de quem faz as provas. Contudo, há sintomas
inequívocos, como a dificuldade de linguagem, movimentos desordenados e, sem
dúvida, falhas e lacunas na memória.
O álcool atinge mais a mulher
Calcula-se
que cerca de 40% das mulheres bebe e 25% fuma. O hábito de beber é mais
frequente entre quem tem um alto nível educativo, maiores possibilidades económicas
ou trabalham fora de casa. Até há alguns anos, a mulher alcoólica era a dona de
casa que ficava em casa todo o dia. Dona de casa e com filhos, que também estão
fora, e que consome para lutar contra a depressão daquilo que a rodeia.
que cerca de 40% das mulheres bebe e 25% fuma. O hábito de beber é mais
frequente entre quem tem um alto nível educativo, maiores possibilidades económicas
ou trabalham fora de casa. Até há alguns anos, a mulher alcoólica era a dona de
casa que ficava em casa todo o dia. Dona de casa e com filhos, que também estão
fora, e que consome para lutar contra a depressão daquilo que a rodeia.
Actualmente,
o perfil é o de uma mulher de 18 a 25 anos, e que bebe ou começa a beber pelas
suas relações sociais ou profissionais. O problema a destacar é que a mulher é
muito mais susceptível aos efeitos nocivos do álcool. Tomando a mesma
quantidade, o álcool prejudica mais a mulher do que o homem e a sua toxidade
mostra-se não só no fígado como igualmente nos outros órgãos.
o perfil é o de uma mulher de 18 a 25 anos, e que bebe ou começa a beber pelas
suas relações sociais ou profissionais. O problema a destacar é que a mulher é
muito mais susceptível aos efeitos nocivos do álcool. Tomando a mesma
quantidade, o álcool prejudica mais a mulher do que o homem e a sua toxidade
mostra-se não só no fígado como igualmente nos outros órgãos.
A
mulher que bebe, por exemplo, tem um problema hepático mais grave do que o
homem. A hepatite alcoólica também é mais frequente ainda que bebendo menos
quantidade e durante um tempo mais curto que o homem. A conclusão mais
importante a que os especialistas chegaram é que, com igual dose de álcool,
corrigida na proporção do peso, a mulher faz uma alcoolemia mais alta do que o
homem, apesar da eliminação ser igual ou mesmo maior. (Recordemos que a alcoolemia é a quantidade de álcool no sangue).
mulher que bebe, por exemplo, tem um problema hepático mais grave do que o
homem. A hepatite alcoólica também é mais frequente ainda que bebendo menos
quantidade e durante um tempo mais curto que o homem. A conclusão mais
importante a que os especialistas chegaram é que, com igual dose de álcool,
corrigida na proporção do peso, a mulher faz uma alcoolemia mais alta do que o
homem, apesar da eliminação ser igual ou mesmo maior. (Recordemos que a alcoolemia é a quantidade de álcool no sangue).
Parece
que uma dose de álcool (cerca de 0,3 por quilo) não passa para o sangue nem se
retém no estômago, mas que é metabolizada pelo próprio estômago, naquilo que os
especialistas denominam um metabolismo de primeiro passo. Essa metabolização
poderá ser mais rápida na mulher.
que uma dose de álcool (cerca de 0,3 por quilo) não passa para o sangue nem se
retém no estômago, mas que é metabolizada pelo próprio estômago, naquilo que os
especialistas denominam um metabolismo de primeiro passo. Essa metabolização
poderá ser mais rápida na mulher.
Por outro lado, é possível que o organismo feminino não tenha a mesma
concentração da enzima responsável pela degradação do álcool. Por isso, se uma
mulher beber as mesmas quantidades de álcool que um homem, o seu sangue absorverá
entre 30% e 50% mais.
É
igualmente sabido que a actividade também é inferior entre as mulheres grávidas
e as pessoas de raça negra. Enquanto na mulher a ingestão diária de 20 gramas
de álcool pode criar graves problemas hepáticos, para que estes apareçam no
homem é necessário que a ingestão seja sensivelmente maior. Por outro lado,
sabe-se que o coração da mulher é mais vulnerável do que o do homem ante os
efeitos nocivos do álcool. Elas necessitam de 60% menos de álcool para sofrer a
mesma cardiopatia.
igualmente sabido que a actividade também é inferior entre as mulheres grávidas
e as pessoas de raça negra. Enquanto na mulher a ingestão diária de 20 gramas
de álcool pode criar graves problemas hepáticos, para que estes apareçam no
homem é necessário que a ingestão seja sensivelmente maior. Por outro lado,
sabe-se que o coração da mulher é mais vulnerável do que o do homem ante os
efeitos nocivos do álcool. Elas necessitam de 60% menos de álcool para sofrer a
mesma cardiopatia.
A
Drª Mary Dufour, do Instituto Norte-Americano de Alcoolismo e a Drª Emmanuel
Rubín, da Universidade Thomas Jefferson (Estados Unidos) estudaram 50 mulheres
e 100 homens alcoólicos que não padeciam anteriormente de qualquer tipo de
doença cardiovascular. Depois de medir a quantidade de sangue que bombeavam os
seus corações, descobriram uma cardiopatia num terço deles – tanto nos homens
como nas mulheres. Contudo, as mulheres sofreram os sintomas depois de terem
consumido, em média, ao longo das suas vidas 60% menos álcool do que os homens.
As batidas cardíacas das mulheres alcoolizadas são igualmente mais fracas do
que os homens na mesma situação.
Drª Mary Dufour, do Instituto Norte-Americano de Alcoolismo e a Drª Emmanuel
Rubín, da Universidade Thomas Jefferson (Estados Unidos) estudaram 50 mulheres
e 100 homens alcoólicos que não padeciam anteriormente de qualquer tipo de
doença cardiovascular. Depois de medir a quantidade de sangue que bombeavam os
seus corações, descobriram uma cardiopatia num terço deles – tanto nos homens
como nas mulheres. Contudo, as mulheres sofreram os sintomas depois de terem
consumido, em média, ao longo das suas vidas 60% menos álcool do que os homens.
As batidas cardíacas das mulheres alcoolizadas são igualmente mais fracas do
que os homens na mesma situação.
Não se esqueça que
•
O efeito do álcool é diferente segundo o sexo, sendo mais patente nos bebedores
jovens.
O efeito do álcool é diferente segundo o sexo, sendo mais patente nos bebedores
jovens.
•
As mulheres que bebem quatro copos por dia podem vir a sofrer uma cardiopatia
em somente 10 anos.
As mulheres que bebem quatro copos por dia podem vir a sofrer uma cardiopatia
em somente 10 anos.
•
Sem se saber muito bem porquê, também o tabaco afecta mais a mulher, no sentido
em que cria uma maior dependência. É muito mais difícil a mulher deixar de
fumar do que o homem.
Sem se saber muito bem porquê, também o tabaco afecta mais a mulher, no sentido
em que cria uma maior dependência. É muito mais difícil a mulher deixar de
fumar do que o homem.
•
O álcool também tem um diferente efeito metabólico na mulher, sobretudo no
metabolismo das gorduras, que é mais rápido nestas do que nos homens. Uma
mulher que bebe verá aumentar o seu nível de triglicerídeos.
Pela sua menor capacidade metabólica, a mulher tem um processo de alcoolização
mais rápido do que o do homem.
O álcool também tem um diferente efeito metabólico na mulher, sobretudo no
metabolismo das gorduras, que é mais rápido nestas do que nos homens. Uma
mulher que bebe verá aumentar o seu nível de triglicerídeos.
Pela sua menor capacidade metabólica, a mulher tem um processo de alcoolização
mais rápido do que o do homem.





