Médico Luís Portela deu conferência no Centro Paroquial S. Pedro. Investigação científica deve aproximar-se das questões ligadas à espiritualidade

Médico Luís Portela deu conferência no Centro Paroquial S. Pedro. Investigação científica deve aproximar-se das questões ligadas à espiritualidade

02/11/2026 0 Por Carlos Joaquim
“Ciência, Espiritualidade e Natureza” foi o tema da sessão promovida no âmbito do projeto Educ@rteNatureza e que trouxe a Cantanhede o médico e professor universitário Luís Portela, para uma reflexão sobre as relações entre ciência, mente, consciência e espiritualidade.
Num auditório do Centro Paroquial S. Pedro repleto, o antigo presidente da farmacêutica Bial esteve à conversa com Miguel Castelo-Branco, médico e neurocientista da Universidade de Coimbra. Antes, porém, fez uma apresentação sobre as várias dimensões do ser humano, com base em resultados de estudos sobre telepatia, experiências de quase morte e relatos de vidas passadas.
No fundo, a ideia central da sua abordagem foi a de que o ser humano e a realidade podem ser mais complexos do que aquilo que atualmente conseguimos explicar através da ciência. O seu pensamento conduz, assim, à necessidade de uma aproximação da investigação científica às questões tradicionalmente abordadas pela filosofia e pela espiritualidade.
Para Luís Portela, a mente merece ser estudada para além das explicações convencionais, incluindo fenómenos que poderão desafiar a compreensão atual do cérebro. Esta posição está presente nas suas obras e no trabalho de divulgação que desenvolve em torno da parapsicologia.
Autor de várias obras dedicadas a estas temáticas e coapresentador da série documental da RTP1 “Para Além do Cérebro”, o médico confessou não ser religioso, “embora respeite todas as religiões”. “Não sou um homem de fé, procuro focar-me naquilo que é a posição da ciência e, depois, naquilo que para mim são evidências”, justificou, adiantando que “os verdadeiros espiritualistas não têm medo da morte, pois encaram com naturalidade a mudança de caminho”.
“É minha convicção profunda que a vida continua para além da morte, mas a ciência ainda não o demonstrou. Mas há indícios e muitas evidências e, mesmo demorando décadas ou até séculos, a ciência vai lá chegar”, rematou.

Já Miguel Castelo Branco destacou a “força, espiritualidade e positividade” da intervenção do orador convidado. “Apesar de já o conhecer há muitos anos, ainda assim conseguiu surpreender-me”, considerou, destacando “as múltiplas facetas” de Luís Portela, “que se move com grande naturalidade no mundo académico, empresarial e da espiritualidade”.

A abrir a sessão, o vice-presidente da Câmara Municipal, Pedro Cardoso, congratulou-se com a forte adesão a esta iniciativa, “não apenas pela pertinência da temática, mas também pelo facto de participarem duas referências da medicina, da academia e da investigação”. “Estamos perante duas mentes brilhantes, dois seres humanos extraordinárias, o que muito nos honra”, enfatizou.
O autarca elogiou também a relevância do ciclo de conversas do projeto Educ@rteNatureza, salientando “a importância de aproximar diferentes saberes, sensibilidades e experiências”.