De que nos serve uma fonte sem canal?

De que nos serve uma fonte sem canal?

12/02/2020 0 Por Carlos Joaquim
Analisando os fatos históricos decorrentes da ação nefasta do protestantismo — que arrebatou da Santa Igreja metade da Europa —, pode-se conjecturar que mesmo depois do Concílio de Trento prosseguiu um trabalho sutil, matreiro, silencioso e bem orquestrado por parte daqueles que, não aderindo abertamente à heresia luterana, preferiram permanecer no interior do Corpo Místico de Cristo para continuar a corrompê-lo.
Essa obra infausta iniciou-se com Jansênio (1585-1638), pregador da volta da Igreja à penitência e aos tempos primitivos. Ele afirmava que, com a Redenção, Cristo não teria morrido por todos os homens, mas apenas pelos eleitos, capazes de obter a graça eficaz para a consecução de todo bem. Essa escola de pensamento religioso levou muitas almas ao temor e ao desespero.
Antoine Arnauld (1612-1694), prócer da mesma corrente herética, publicou o livro A Comunhão frequente, no qual induzia à penitência pública, à dilação da absolvição para satisfação dos pecados e — como meio salutar de penitência —, ao afastamento das almas da comunhão frequente, chamada por ele de “luxúria espiritual”. Apesar disso, seu livro obteve na época a aprovação de nada menos que 11 bispos…
O jansenismo representou um verdadeiro câncer que arruinou o edifício religioso das almas dos fiéis. Ele chegava ao ponto de deixar os doentes morrerem sem os devidos sacramentos. Sem destruir os altares dos santos e de Maria Santíssima, esses inimigos da fé atacavam sutilmente essa devoção, sob o pretexto de afastar abusos e fórmulas exageradas. Aparentemente submissos à orientação da Igreja, os jansenistas procuravam encontrar meios cada vez mais escusos para explicar a vida interna da Igreja, mas sem mudar os sentimentos que os alinhavam aos seus antepassados protestantes.
No seu afã de mitigar o fervor religioso nas almas dos fiéis, os jansenistas se valeram de todos os ardis possíveis para afastá-los da devoção a Nosso Senhor e a Nossa Senhora. Chegaram a afirmar que se tratava de devoções imprudentes, indiscretas, que concorriam para desacreditar a Igreja. Inimigos sempre os houve na Igreja, ora agindo às claras, ora — mais frequentemente — se apresentando de maneira camuflada, num trabalho paulatino de demolição das instituições eclesiásticas internas e de dessoramento da vida espiritual dos fiéis.
Em seu livro Revolução e Contra-Revolução, Plinio Corrêa de Oliveira cita Pio XII quando este sustenta: “É um inimigo que se tornou cada vez mais concreto, com uma ausência de escrúpulos que ainda surpreende: Cristo sim, a Igreja não! Depois: Deus sim, Cristo não! Finalmente o grito ímpio: Deus está morto”. Se a Revolução é processiva — como podemos ler nas páginas da obra supracitada —, eis o referido processo e seu desenvolvimento no seio da Santa Igreja com o escopo de destruí-La.