Registos: Segundo dia de greve com forte impacto no Porto
A greve nas Conservatórias e Lojas de Cidadão entrou hoje no segundo dia com a mesma intensidade verificada ontem, registando uma adesão nacional de 83,48%. Em todo o distrito do Porto, a paralisação dos trabalhadores dos Registos Predial, Comercial, Automóvel e Civil e das Lojas de Cidadão provocou constrangimentos muito significativos, com encerramentos generalizados em vários serviços, enquanto os que permaneceram abertos funcionaram com fortes limitações.
Concretamente na cidade do Porto, a Conservatória do Registo Comercial manteve-se totalmente encerrada, sem qualquer atendimento ao público. Em Vila Nova de Gaia, todos os serviços estiveram inoperacionais, incluindo o Registo Comercial e Automóvel, o Registo Comercial de Gaia, o serviço de Registo Civil no Arrábida Shopping, a 1.ª Conservatória do Registo Predial e o Espaço de Registos de Gaia.
Em Gondomar, permaneceram fechados o Espaço de Registos, o Registo Predial, o Back Office Predial e a Loja de Cidadão – sem prestação de serviços ao longo do dia.
Já em Valongo, Vila do Conde, Trofa, Santo Tirso, Paços de Ferreira, Marco de Canaveses, Penafiel e Baião, as Conservatórias de Registo Civil, Predial, Comercial e Automóvel, bem como Lojas de Cidadão, estiveram igualmente encerrados, impossibilitando qualquer atendimento. Em Lousada e Paredes, igual cenário.
Paralelamente, o Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado (STRN) pondera avançar com uma participação ao Ministério Público caso o Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) insista em recolher dados de adesão à greve convocada pela estrutura sindical e caso o Ministério continue a divulgar dados da greve, uma vez que, a continuarem, ambos estão a cometer uma ilegalidade.
Considerando esta prática ilegal e intimidatória, o STRN sublinha que a recolha de informação sobre a adesão à greve só pode ser feita após o termo da paralisação. O que está a acontecer é inaceitável, afirma Arménio Maximino, presidente do STRN.
Aliás, o Despacho n.º 3876/2012‑SEAP é claro: é proibido divulgar dados de adesão durante a greve, determinando que “não será divulgada qualquer informação […] nos dias em que as mesmas ocorrem”. Também é ilegal recolher dados para divulgação imediata, já que o apuramento só pode ser feito após o termo da paralisação e exclusivamente através do formulário da DGAEP. A divulgação pública compete apenas à DGAEP e apenas cinco dias úteis depois. Ou seja, qualquer recolha ou divulgação pelo Ministério da Justiça durante a greve — como sucedeu ontem — viola diretamente este regime legal.
O STRN contesta ainda os números avançados ontem pelo Ministério da Justiça, que apontam os serviços encerrados para 51,2% no Continente, 100% nos Açores e 66,6% na Madeira.
Ora, de acordo com os dados recolhidos pela estrutura sindical, a adesão real situou‑se nos 82% no continente, 95% nos Açores e 92% na Madeira, valores confirmados por equipas que visitaram conservatórias em todo o país. Os trabalhadores reportaram diretamente os níveis de adesão, situando a média nacional nos 89%. “Os dados avançados pelo Ministério da Justiça não são verdadeiros. Aliás, o Ministério está a recolher dados de adesão de forma ilegal — razão pela qual divulgou o comunicado que divulgou”, frisa Arménio Maximino, presidente do STRN.
Convocada para defender um serviço público de qualidade ao serviço dos cidadãos, das empresas e da segurança jurídica, a paralisação dos trabalhadores dos Registos, que termina no próximo sábado, resulta da necessidade de reforçar um setor que perdeu capacidade de resposta.
O STRN reivindica o recrutamento urgente de 270 Conservadores e 2731 Oficiais de Registos, a reversão da perda de capacidade operacional — agravada por cerca de 30 aposentações mensais —, o investimento das taxas no próprio setor, o cumprimento do RGPD com atendimento em condições de privacidade e a valorização das carreiras.
O setor enfrenta um défice estrutural grave, com 38% dos lugares de Conservador e 55% dos lugares de Oficial de Registos por preencher, a que se somam assimetrias salariais profundas, incumprimento do protocolo negocial, retrocessos profissionais e ausência de condições de segurança e medicina do trabalho.
O STRN exige ainda o cumprimento integral do protocolo de negociação coletiva, a manutenção da categoria de Oficial de Registos Especialista e o reconhecimento das atualizações indiciárias e promoções devidas.
Por fim, o Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado lamenta que, em vez de alimentar uma guerra de números, o Ministério da Justiça não se foque em resolver os problemas estruturais do setor — problemas esses que dão precisamente o mote para a greve em curso.
Gabinete de Imprensa
*Rogério Bueno de Matos
**Ana Clara Quental
Porto, 9 de junho de 2026