Queixas de violência doméstica vão “disparar” com o fim do confinamento

Queixas de violência doméstica vão “disparar” com o fim do confinamento

23/05/2020 0 Por Carlos Joaquim
A Advogada Manuela Magalhães prevê uma onda de divórcios e consequentes regulações do poder parental até ao final do ano.O número de participações por violência doméstica baixou mais de 25% durante o confinamento, quer na estatística da PSP quer na da GNR. Mas “as denúncias vão disparar a partir do final do mês, com o regresso de muita gente do teletrabalho”, acredita o psicólogo da APAV Daniel Cotrim.
A opinião é partilhada por Carlos Poiares, especialista em psicologia criminal. “Os estilhaços da pandemia, em termos de violência no seio da família, vão surgir nos próximos meses”, defende o investigador.
Durante o período de confinamento, as vítimas foram obrigadas a viver num ambiente totalmente controlado pelo agressor, com a agravante de que muitas delas ficaram no desemprego ou em regime de lay-offf. “A vulnerabilidade económica agravou ainda mais a sua situação de risco e essa circunstância explica em parte a redução do número de participações”, diz ainda Daniel Cotrim.
O psicólogo da APAV releva que durante o confinamento, “grande parte das denúncias foi apresentada por vizinhos e amigos”, o que revela uma nova atitude da parte da sociedade, que já não tem medo de meter a colher entre marido e mulher. Daniel Cotrim admite que “são efeitos positivos” da campanha de informação feita pelo Governo.
A advogada Manuela Magalhães lembra o apelo feito pelo secretário-geral das Nações Unidas para que, durante a pandemia, os governos organizassem, em supermercados ou farmácias, formas de as mulheres poderem denunciar que estavam a ser alvo de violência. Esse apelo teve eco em países como a Argentina e Espanha, onde as mulheres podiam pedir um determinado tipo de máscara que era um sinal de alerta, mas não em Portugal. Aí pode estar uma explicação para o facto de, durante o confinamento, ter havido menos denúncias, ao contrário do que aconteceu noutros países, dentro e fora da Europa.