Francisco homologa Leonardo Boff e joga Fritz Löbinger no Tibre

Francisco homologa Leonardo Boff e joga Fritz Löbinger no Tibre

14/02/2020 0 Por Carlos Joaquim
A Exortação Apostólica “Querida Amazonia”, que acaba de ser publicada, confirma que no pontificado do Papa Francisco a política tem prioridade sobre a religião. Ele manteve o pé no acelerador da “ecologia integral”, mas deu uma freada brusca na agenda religiosa do Sínodo.
Os cardeais Burke, Müller e Sarah (e seu coautor Bento XVI), assim como os poucos prelados que defenderam com ardor o celibato sacerdotal, têm motivos para estar satisfeitos. E podem agora olhar com sobranceria os promotores do sacerdócio low cost, principalmente os bispos Fritz Löbinger, Erwin Kräutler e seus parceiros do “caminho sinodal” alemão. Schluss!: nenhuma abertura aos viri probati, nem às “diaconisas”.
O Papa Francisco reconhece que é preciso fazer esforços para que as comunidades mais isoladas da Amazônia não sejam privadas do alimento da Eucaristia e dos sacramentos da Reconciliação e da Unção dos Enfermos (n° 86 e 89). Também admite que a vida e o ministério sacerdotais não são monolíticos (n° 87). Afirma, porém, que a solução repousa no sacramento da Ordem Sagrada, o qual configura o sacerdote a Cristo (n° 87), que é Esposo da comunidade que se reúne em torno da Eucaristia e é representado por um varão, o celebrante (n° 101). Com isso, ele assume os dois principais argumentos daqueles que se opõem ao sacerdócio uxorado.
E, como solução, propõe orações pelas vocações sacerdotais e o direcionamento das vocações missionárias para a Amazônia (n° 90). Queixando-se de passagem pelo absurdo de um número maior de sacerdotes dos países amazônicos se dirigirem aos Estados Unidos e à Europa em vez de irem para as missões nos próprios países! (nota 132).
Como havia sido anunciado nos últimos dias, não há uma só menção indireta à eventualidade de ordenar homens casados líderes da comunidade. Pelo contrário, Francisco insiste no fato de que não se trata simplesmente de facilitar uma maior presença de ministros ordenados que possam celebrar a santa missa, mas de promover o encontro com a Palavra de Deus e o crescimento na santidade através de vários tipos de serviços pastorais passíveis de serem desenvolvidos por leigos (n° 93), como pleiteou judiciosamente Dom Athanasius Schneider com base na sua própria experiência de privação de sacerdotes na Rússia soviética.
Pelo mesmo motivo da configuração do sacerdote em Cristo, Esposo da comunidade, e do amplo e generoso trabalho missionário já realizado por mulheres — nas áreas de batismo, catequese, oração — (n°99), o Papa Francisco fecha a discussão sobre a ordenação de mulheres, asseverando que seria uma forma de reducionismo “clericarizar” as mulheres e achar que elas unicamente obteriam um status superior na Igreja se fossem admitidas à Ordem sacra (n° 100). Pelo contrário, as mulheres dão sua contribuição à Igreja da forma que lhes é própria, prolongando a força e a ternura de Maria, a Mãe (n° 101).