Religião | Cochilando, às vezes se ouve e se aprende…

Religião | Cochilando, às vezes se ouve e se aprende…

9 de Outubro, 2019 0 Por Carlos Joaquim
Transcrevemos a seguir a introdução da obra “Tribalismo Indígena – Ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI” (1977), na qual Plinio Corrêa de Oliveira denuncia profeticamente o que se está pretendendo aprovar no Sínodo Pan-Amazônico que se transcorre nestes dias no Vaticano.
  • Plinio Corrêa de Oliveira
Aproveitando o mês de férias, um turista recostado em cômoda poltrona de hotel cerra os olhos para uma sesta, no esparramado far-niente de uma estação de repouso. Suavemente, deixa ele rolar a memória à procura de recordações que distendam e convidem ao sono.
         Mas a imaginação é quase sempre caprichosa. E todo capricho, por natureza, é teimoso. As imagens que se lhe apresentam — lá sabe o turista por quê, talvez em razão da bela mata que se vê ao longe — são fotos, audiovisuais, filmes que viu em diversas ocasiões, sobre os índios, seus costumes, suas moradias, seus ritos de festa, de luto e de guerra.
         O candidato à sesta consegue escapar, por fim, à perseguição indígena, pouco propícia à distensão. E de pálpebras baixadas, na insistente procura do sono, vai fazendo emergir da memória, mansa e suavemente, a lembrança de alguma grande cidade do Ocidente: Paris, Veneza, Roma, Londres ou Nova York. Se não, São Paulo, Rio ou Buenos Aires.
         Nosso turista se distende, sente que o sono se vai acercando. Mas, por seus ouvidos a dentro penetra o que dizem pessoas próximas, instaladas em um grupo de cadeiras no mesmo salão do hotel. São duas as vozes que conversam.
Por rara coincidência — telepatia? — o tema da prosa parece um comentário aos primeiros quadros selváticos que haviam importunado o infeliz caça-sesta. Uma voz indaga:
         — Qual é, então, o tipo de conglomerado que deve servir de modelo para o habitat humano: a taba ou a grande cidade?
         Entre surpreso e indolente, o turista se pergunta, ainda de olhos cerrados, qual a pessoa que levanta uma questão cuja inevitável resposta é banal, à força de tão óbvia.
Com isto não perde ele a esperança da sesta. A banalidade é soporífera por natureza, quem sabe se o ajudará a adormecer…