Mundo | MITRIDIZAÇÃO

Mundo | MITRIDIZAÇÃO

13 de Setembro, 2019 0 Por Carlos Joaquim
Desde 9 de junho último a população de Hong Kong reage energicamente, no fundo, contra a crescente ingerência do Partido Comunista Chinês (PCC) na vida pública da antiga colônia britânica, com repercussão óbvia na vida privada de seus habitantes.
Mais proximamente, a reação visa projeto de lei que permite a extradição de cidadãos de Hong Kong para a China para lá serem julgados por um Judiciário sem autonomia. Ou, por outra, mais claro, permite que opositores do Partido Comunista Chinês sejam entregues ao governo de Pequim para, dependendo do caso, exílio interno, isolamento, tortura, encarceramento, prisão e morte.
Alguns marcos úteis. Depois de 156 anos de governo colonial inglês, em 1º de julho de 1997 foi entregue à China a soberania e a administração de Hong Kong, então com 6,5 milhões de habitantes, que passou a ser parte integrante da República Popular da China. Com algumas condições, sintetizadas na fórmula “dois sistemas, um Estado”, por 50 anos, portanto, até 2047, manter-se-ia autônoma a administração e intacto o regime econômico então vigente. Já se foram 22 anos, faltam 28 para o processo se completar. Contudo, a China vem desrespeitando o tratado, desidrata cada vez mais a autonomia da “região administrativa especial”. O garrote sino sufoca liberdades e outros direitos, alarmando a população da cidade e o mundo em geral.
Já em 2014, na chamada revolta dos guarda-chuvas, houve 79 dias de protestos contínuos nos arredores da sede do governo. Os guarda-chuvas abertos evidenciavam a determinação da população de permanecer sob a chuva, sem arredar pé, reclamando liberdade, eleições livres, autonomia verdadeira.
Os líderes do movimento dos guarda-chuvas enfrentam hoje processos, prisões e exílio. Não foi concedido o voto universal direto nas eleições para o Executivo de 2017. Assim, o pleito foi disputado só com candidatos previamente aprovados por Pequim, em que foi eleita Carrie Lam, agora contestada. E, a partir de 2014, a China aumentou o financiamento a candidatos pró-Pequim e fez com que líderes empresariais favoráveis comprassem espaço de propaganda nos meios de divulgação. Outro ponto, o Parlamento, também de momento contestado, tem mais da metade dos membros sob controle de Pequim (do PCC, portanto), o que lhe dá poder para interferir no regulamento e interpretar a “Lei Básica”, a constituição, de maneira que lhe seja favorável.