Diplomacia brasileira confirma que ‘Hezbollah’ tem atividade na América do Sul

Diplomacia brasileira confirma que ‘Hezbollah’ tem atividade na América do Sul

20 de Julho, 2019 0 Por Carlos Joaquim
O secretário-geral das Relações Exteriores do Brasil, Otávio Brandelli, confirmou à Lusa que o ‘Hezbollah’ tem atividade terrorista na América do Sul e destacou que Brasil, Argentina e Paraguai vão atuar com os Estados Unidos para combaterem atividades que financiam o terrorismo.
“Há atividade do ‘Hezbollah’ na região. Isso é um dado da realidade”, confirmou à Lusa Otávio Brandelli, chefe do Itamaraty, palácio da diplomacia brasileira.
Brandelli participou em Buenos Aires da Segunda Conferência Ministerial Hemisférica de Luta contra o Terrorismo em substituição ao ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Ernesto Araújo, quem se deslocou a Cabo Verde para uma reunião da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
“O Brasil juntou-se à declaração da Conferência na qual se reconhece que há atividades do Hezbollah na América do Sul. Não queremos que o hemisfério seja um espaço para ação de logística, de financiamento ou de atividades operacionais de qualquer grupo terrorista”, explicou Brandelli.
Durante o encontro, Brasil, Argentina e Paraguai, com o apoio dos Estados Unidos, estabeleceram um mecanismo de segurança regional para a coordenação dos esforços na luta contra as atividades ilícitas na região e contra as suas vinculações com o crime transnacional e financiamento do terrorismo.
O mecanismo prevê reuniões semestrais, sendo a primeira, antes do final deste ano, em Assunção no Paraguai.
“É um mecanismo de cooperação no modelo 3 + 1. Ou seja: Brasil, Argentina e Paraguai + Estados Unidos. O mecanismo já existia, mas não se reunia mais. Agora foi relançado”, anunciou Brandelli.
Autoridades dos Estados Unidos afirmam que o Hezbollah opera na Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai, onde uma economia ilícita em torno do contrabando e dos tráficos de drogas e de armas financiaria operações do movimento xiita noutras partes do mundo.
A reunião em Buenos Aires aconteceu em sintonia com a decisão argentina de declarar a organização xiita pró-iraniana Hezbollah como grupo terrorista, um pedido dos Estados Unidos e de Israel, países com os quais a Argentina tem interesses estratégicos, assim como o Brasil.