AMERICANO CONGELADO NA NEVE É RESSUSCITADO EM “MILAGRE MÉDICO”

21/01/2016 0 Por Carlos Joaquim


21 Janeiro, 2016 por 

O caso de Justin Smith foi descrito por médicos como um "milagre" - e poderá ser a única pessoa que tenha sobrevivido a uma hipotermia tão grave

O caso de Justin Smith foi descrito por médicos como um “milagre” – e poderá ser a única pessoa que tenha sobrevivido a uma hipotermia tão grave
Justin Smith foi encontrado inanimado na neve em Tresckow, no Estado norte-americano da Pensilvânia, na manhã de 21 de fevereiro de 2015, aparentemente morto. Um ano depois, encontra-se totalmente recuperado. Como é que um homem que congelou até a morte voltou à vida?
“Todos os sinais nos levam a acreditar que ele esteja morto há bastante tempo”, afirmou um paramédico em contato com a polícia no dia em que o jovem foi encontrado congelado.
O drama do estudante de psicologia de 26 anos começara na noite anterior, por volta das 21h30, quando percorria um caminho de três quilómetros que costumava fazer para evitar conduzir depois de beber com os amigos.
Justin não se lembra de ter escorregado e batido com a cabeça, mas é o que os médicos acreditam que tenha ocorrido. O jovem caiu de costas num monte de neve, sem casaco, de olhos abertos e a olhar para cima – e foi assim que o pai, o professor Don Smith, o encontrou na manhã seguinte, às 7h30, depois de ter sido alertado por uma amiga do filho que estava preocupada.
A temperatura naquela noite tinha atingido os -4ºC.

Congelado como concreto

“Ele estava congelado, como um bloco de concreto. Comecei a abaná-lo e dizer: não me vais deixar”, diz o pai.
Os médicos descreveram o caso de Justin como um “milagre médico”, como talvez a única pessoa que tenha sobrevivido a uma hipotermia tão grave.
No setor de emergência do hospital de Lehigh Valley, o jovem foi atendido por uma equipa de 15 pessoas, e passou por duas horas de ressuscitação cardiopulmonar, enquanto seu corpo era reaquecido lentamente.
Em seguida, foi levado de helicóptero até um hospital num voo de 18 minutos, durante o qual os paramédicos fizeram 100 compressões cardíacas por minuto, com oxigenações, para manter o fluxo de sangue para o cérebro.
No hospital, Justin foi ressuscitado através de um procedimento chamadooxigenação por membrana extracorpórea, em que o sangue é removido, oxigenado e aquecido antes de ser bombeado de volta ao corpo.

Justin regressou ao hospital Lehigh Valley para agradecer à equipa que o tratou

Justin regressou ao hospital Lehigh Valley para agradecer à equipa que o tratou
A técnica é normalmente usada como último recurso para salvar pacientes com pulmões ou corações comprometidos por enfartes ou casos graves de gripe.
O cirurgião cardiotorácico James Wu, que atendeu Justin, disse que a família deveria preparar-se para o pior, já que as hipóteses de sobrevivência do paciente eram de 50%. Contudo, 90 minutos depois, o corpo de Justin estava a aquecer, e logo o coração já batia sozinho.
O estudante continuava em coma e era mantido vivo com ajuda de aparelhos. Dias depois, a surpresa: testes mostravam que o cérebro de Justin estava normal.
“Estávamos eufóricos. Acreditamos que era um milagre a acontecer à nossa frente”, disse o neurologista John Castaldo.

Recuperação lenta

Um mês depois, os olhos do jovem começaram a seguir o rosto do médico – era um sinal de recuperação do cérebro.
Justin passou cerca de três meses internado – os rins e os pulmões não funcionavam, e teve os dedões do pé e os dedos mindinhos das mãos amputados devido a gangrena.
Aos poucos, no entanto, a sua personalidade, memória e atenção foram voltando. Justin teve que reaprender a usar as mãos e a andar. Após meses de recuperação, já jogava golfe e planeava o regresso à universidade.

O estudante reaprendeu a usar as mãos e os pés e voltou a praticar golfe

O estudante reaprendeu a usar as mãos e os pés e voltou a praticar golfe
Na semana passada, Justin voltou ao hospital para agradecer à equipa que lhe salvou a vida.
“Sou-vos muito grato, e a prova do que pode acontecer quando grandes pessoas trabalham em conjunto”, disse Justin, ou “homem de gelo“, como foi apelidado pelos amigos.
ZAP / BBC