Comunicação lida na 5ª. Convenção Nacional de Dadores de Sangue em Aveiro

26 de Outubro, 2015 0 Por Carlos Joaquim
Comunicação lida na 5ª. Convenção
Nacional de Dadores de Sangue em Aveiro

TEMA: O FUTURO DA DÁDIVA DE SANGUE E
INCENTIVOS
Retrospectiva
Nesta
data (dia 24 de Outubro), foi declarada oficialmente a abertura da ordem de
trabalhos da 5ª. Convenção Nacional de Dadores de Sangue em Aveiro, no
Auditório do Instituto Português da Juventude do Desporto), mais conhecido por
IPDJ, Delegação de Aveiro.
Para
os mais desatentos acerca destas iniciativas, ditas Convenções, recordamos que
a ADASCA foi a anfitriã da I Convenção que decorreu no dia 23 de Julho do ano de
2011, no Auditório do ISCAA, e teve como tema: “RESPONSABILIDADE SOCIAL DA DÁDIVA DE SANGUE E O PAPEL DAS ASSOCIAÇÕES
DE DADORES DE SANGUE NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA”
.
As
razões que nos motivaram a organizar a Convenção de 2011 estavam fundamentadas
com a notícia publicada do dia 14 de Junho no Jornal de Notícias, em que dava
conta do subaproveitamento do Plasma em Portugal durante quase uma década,
tendo saído precisamente no Dia Mundial do Dador de Sangue, que na altura
designei de bomba H, tendo por base os prejuízos que provocou no que diz
respeito à ausência de dadores nos locais de colheitas de sangue, que ainda
hoje continua com uma adesão reduzida.
Não
foi fácil realizar aquela I Convenção, na qualidade de Coordenador, posso afirmar
que me senti condicionado. Primeiro pela designação em si, segundo o que
pretendia com a sua concretização, tendo ficado inequivocamente com a percepção
que estava a entrar num campo minado de interesses intocáveis, subterrâneos
nunca antes mexido. O ambiente que se respirava era pesado, respirava-se
ameaças sérias. Ainda hoje, esse sentimento me acompanha, porque cada dia que passa
surge novas interrogações do desconhecimento aos dadores de sangue. Afinal
ainda há dadores incautos… se os há a que se deve? À falta de informação? Creio
que sim.
Sou
levado a crer, que a única comunicação que respeitou o tema da dita Convenção
foi da minha autoria, algumas das outras se desviaram para objectivos concretos
ou pouco relacionados, que tinham de ser alcançados a todo o custo. Decorrido
algum tempo, reunida a Direcção da ADASCA, e apreciadas as conclusões, fiz
questão de propor que fosse elaborada uma Carta para a passagem de Testemunho a
outra associação no sentido de tornar a dita Convenção itinerante, ou seja,
para que decorre-se todos os anos em cidades/localidades diferentes até
percorrer o País de norte a sul.
Dando
cumprimento a esse princípio, a passagem de testemunho decorreu numa reunião
levada a efeito (em data incerta) na Sede da Associação de Dadores de Sangue de
Guimarães, à Associação de Dadores de Sangue do Distrito de Viana do Castelo
aqui presente para realizar a 2ª. Convenção Nacional, o que veio acontecer no
ano de 2012, com o tema: “É TEMPO DE
DECIDIR”.
Esta
associação teve um ano para programar e realizar a 2ª. Convenção. O tema era
apelativo, despertou interesse, na verdade era tempo de decidir, o que provocou
sérias expectativas. DECIDIR O QUÊ?
Que ali fossem aprovadas decisões concretas a favor dos dadores de sangue em
primeiro lugar, em segundo que passasse a existir apenas uma federação.
Sintomas de que a Convenção decorreu numa atmosfera partidarizada ninguém
duvidou na altura, nem ainda hoje, pois os objectivos traçados por alguns
elementos tinham de ser alcançados. Tanto que a direcção de uma federação,
cedeu, demitindo-se para dar lugar á eleição de novos (?) elementos para corpos
directivos. Hoje perguntamos: Quem ganhou efectivamente com essa mudança? Os
dadores claramente que não. Quem não alinha pela defesa da dignidade do dador
de sangue, não pode ser por ele, serve-se dele.
A
ansiedade de tomar as rédeas do comando era tal que todos os meios foram úteis
para lá se chegar. O que mudou de concreto? NADA. Jamais esquecerei a forma deselegante como fui impedido de
continuar a ler a minha comunicação. Fui interrompido ao som de expressões verbais
reveladoras de uma baixeza moral inqualificável a todos os níveis, senti pois,
a dentada na mão que antes tinha estendido na I Convenção em Aveiro.
Quanto
à 3ª. Convenção realizada no ano de 2013 em Santarém, prometia de novo que
alguma tinha mesmo que mudar, creio que não foi por acaso que o tema escolhido
assim o prometia: ”DETERMINAÇÃO E
AVANÇAR NO FUTURO”.
Falou-se
e leu-se de tudo, desenquadrado ao tema escolhido. Respirou-se um ambiente de
frustração. Quiçá, estava em causa a defesa de interesses pouco claros,
incoerentes, muitos dos visados nem sequer estiveram presentes. Mais uma vez
alguém se aproveitou indevidamente da iniciativa para alcançar os seus ansiosos
objectivos: permanência no lugar, com atributos de denominador, além de outros
que são conhecidos publicamente.
No
ano de 2014 a 4ª. Convenção Nacional decorreu sob a orientação da Associação de
Dadores de Sangue do Baixo Mondego, na Carapinheira/Montemor, tendo sido
escolhido o tema “ O DADOR, O
ASSOCIATIVISMO E O FUTURO DA DÁDIVA DE SANGUE”
.
Tentativas
para desviar as atenções do tema central foram mais que evidentes, quiçá, não
interessava a alguns dos presentes. Ficámos com essa profunda percepção. Ao
contrário da Convenção de Santarém, as comunicações foram mais acutilantes,
criou-se um ambiente para um debate mais democrático, construtivo, ainda que de
vez enquando a picardia viesse ao de cima. Reflexo de velhas rivalidades
pessoais, associativas, ajustes de contas antigas, digo eu.
Convém
recordar aos mais desatentos, que a organização da 5ª. Convenção a realizar no
corrente ano, foi atribuída ao Núcleo de Dadores de Sangue dos Bombeiros
Voluntários de Bucelas. Por questões que ultrapassam de todo a Direcção da
ADASCA, aquele Núcleo deu-nos a conhecer que não estava disponível para cumprir
com o que se tinha comprometido, correndo-se assim o risco de não se realizar a
Convenção nem em Bucelas, nem noutra localidade qualquer. Como tal decisão só
por si não bastasse, ainda se tentou desacreditar a ADASCA, qual culpada de
tudo o que aconteceu, pois nós repudiamos tais imputações.
As
causas para tal decisão foram de imediato dadas a conhecer publicamente, pelas
mais diversas vias, ainda que pouco convincentes, pois só quem não nos conhece
lhes pode dar crédito. A subjugação sempre pagou o seu preço, por essa e por
outras razões a ADASCA manter-se-à independente. Satisfações, damo-las aos
nossos associados, e ao Conselho Directivo do IPST.
Se
existe alguém que não se revê em certas atitudes, que em nada enaltece a
conduta ou dignifica alguns dirigentes a movimentarem-se no mundo da dádiva de
sangue, os da ADASCA são uns dos tais, essa a razão – entre outras – pela qual
chamámos a nós a responsabilidade para a realização desta 5ª. Convenção
Nacional, tendo sido escolhido o tema: “O
FUTURO DA DÁDIVA DE SANGUE E INCENTIVOS”
além de outros subtemas que
reputamos de elevado interesse nos dias que correm e que constam tanto no
programa oficial como ainda no cartaz divulgado. Na verdade, a ADASCA organiza
esta Convenção em circunstâncias semelhantes à do ano de 2011. Porque será? A
que se deve tudo isto?
Cremos
conjugar a experiência adquirida ao longos destes anos, com os acontecimentos observados nas Convenções antecedentes, para um maior enriquecimento do tema a
tratar nesta Convenção, não permitindo “O
LAVAR ROUPA SUJA”
neste espaço. Que o rigor, a determinação, o bom senso
sejam sentimentos constantes da parte dos elementos que vão preencher o
programa desta Convenção, como ainda da mesa que está a coordenar.
 Não resisto à tentação de colocar as seguintes
observações: se estas Convenções não se tivessem realizado, que cenário
teríamos presentemente na área federativa? Quem beneficiou directamente com
elas e continua a beneficiar? A quem interessa a existência de duas federações?
Quem nos pode responder? É da nossa opinião que o IPST deixe de uma vez por
todas de subsidiar as duas federações, porque ao continuar a fazê-lo está a
alimentar o divisionismo existente entre as associações, e isso não é saudável.
Reposição da Isenção das Taxas
Moderadoras nos Hospitais Públicos, como incentivo à dádiva e reconhecimento
público pela dignidade individual do dador de sangue
Passando
para a actualidade
Criticar
é analisar os factos. Compreende-se, portanto, a extraordinária importância que
esta operação mental desempenha na vida do pensamento. Não é despiciendo
afirmar que a crítica pode ser um grande mal ou um grande bem. Tudo dependerá
da maneira como for compreendida e praticada. Para algumas pessoas, criticar é
sinónimo de dizer mal e de apontar os erros ou defeitos alheios, às vezes
meramente hipotéticos. Nestes casos, a critica transforma-se num odioso instrumento
de maledicência, prejudicando, irremediavelmente, o equilíbrio da razão.
O
pensamento é, no fundo, um acto de crítica honesta e ponderada. A inteligência
de alguns dirigentes associativos anda muito aviltada e caluniada, precisamente
porque se toma como trigo aquilo que não passa de joio. Há criaturas que, ou
por estupidez, ou por ignorância e preguiça mental, evitam quaisquer esforços
intelectuais, preferindo aceitar, sem análise, tudo quanto se lhes oferece ao
espírito, tudo quanto lhes surge ao pensamento. Também há quem, já por comodismo,
já por indiferença, pretenda iludir a solução dos problemas, torneando as
dificuldades ou adiando, indefinidamente, as resoluções definitivas, sempre
substituídas por vulgares e mesquinhos paliativos. A crítica das soluções
propostas requer moralmente mais fibra intelectual do que a sua aceitação, como
escreveu Headley.
Temos
afirmado que, o dador de sangue, paga para ser solidário, esta é a verdade nua
e crua, entre outras. Como se isso não fosse o suficiente é tratado como um
objecto descartável, só é lembrado quando o sistema necessita do seu precioso
líquido, usando para o efeito a situação de risco de vida dos doentes para
motivar a mobilização dos dadores, assim e compreende os apelos por via da imprensa.
Quanto
ao associativismo no campo da dádiva de sangue, estamos de costas de voltas uns
para os outros, como se de inimigos se tratássemos, quando devia ser o
contrário. Com que interesse (s)? Estou certo que, tanto o ministro da saúde
como o IPST devem sentir-se satisfeitos com o divisionismo existente,
considerando que a união entre as associações pode tornar-se perigosa, logo à
que conservar a desunião, concedendo-lhes apoios financeiros para o manter as
federações.
Por
fim, quanto ao futuro da dádiva de sangue, está no ponto que o ministro da
saúde pretende que esteja, foi ele que contribuiu para chegarmos à presente
situação, nem sequer demonstra estar preocupado com os estragos que provocou.
Lamentamos dizê-lo: vá embora porque não nos deixa saudades nenhumas,
considera-lo o inimigo número um que nos apareceu nestes últimos tempos.
A
terminar coloco a seguinte observação: os dadores e as suas associações são ou
não necessários ao Serviço Nacional de Saúde? Se não somos dispensáveis,
apelamos através desta 5ª. Convenção para que seja reposta o mais breve
possível a isenção das taxas moderadas além dos centros de saúde (que não
funcionam bem) também nos hospitais públicos, num gesto claro de reconhecimento
público, pela consideração da dignidade individual de cada dador de sangue, e
teremos de volta os dadores que deixaram comparecer, porque se sentiram usados,
desrespeitados e ludibriados, é o que ouvimos das suas bocas com frequência.
Que
o IPST faça a sua parte, conte com a nossa solidariedade, pois nós vamos fazer
a nossa logo que a situação governativa nos permita avançar, prescindindo de
quem se serve dos dadores, neste caso em concreto as federações, que devem
começar a ser apoiadas pelas cotizações dos seus filiados, e nunca mais pelo
IPST.
                                                                                              
Joaquim
Carlos
Coordenador
da V Convenção Nacional de Dadores de Sangue
Aveiro,
24 de Outubro de 2015
NB:
A iluminação interior em nada ajudou a fotorreportagem. Luzes com reduzida
luminosidade, viradas para a parede, ficando a frente desprovida de condições,
embora tivesse sido usado um flash com alguma potência, assim se compreende a
qualidade das imagens.
Para os mais
curiosos, sim os tais que adoram copiar o que escrevo (porque sei que existem),
e aguardam, posso ainda ser-lhes mais útil, ora tomem nota, registem para os
vossos arquivos: Coisas
há que não se pedem: – tomam-se! que os direitos não se solicitam: –
conquistam-se.

Nesta V
Convenção Nacional de Dadores de Sangue,
 não

houve habilidades, nem artimanhas, malquerenças, nem o palco serviu para
desfile de vaidades ou para exibicionismos, ninguém mandou calar ninguém, todos
nos sentimos irmanados no mesmo objectivo,

 temos a clara
noção do que queremos, que caminho devemos seguir, e do que deve ser mudado o mais breve possível.